quarta-feira, 23 de março de 2011

Dê-me Ânimo

Talvez você não o tenha dito em voz alta nos últimos dias. Mas as possibilidades são de que você tenha moldado as palavras nos vestíbulos silenciosos de sua alma.

Dê-me ânimo. Por favor.

Talvez você não tenha detido alguém na rua e dito exatamente essa frase. Mas se alguns que se importam bastante olhassem bem de perto... Veriam as palavras escritas no seu rosto carrancudo, nos ombros encurvados, nos olhos súplices. Ouviriam as palavras ecoarem em seus comentários descuidados e nos suspiros suprimidos.


Se a verdade fosse conhecida, revelaria que você implora por algum alento. Procurando-o. Ansiando-o. E provavelmente em aflição por ter descoberto que o produto está em falta.

Estou certo? Foi aí que você esteve ultima­mente? Hibernando na caverna do desânimo? Afagando suas feridas sob algumas nuvens pesadas, escuras, que não se dissipam? Pensando seriamente em renunciar à raça humana?

Se assim for, você está indiscutivelmente desprovido de reforço e de afirmação nestes dias. Começa a perguntar-se não quando che­ga o alívio, mas se ele algum dia virá, certo? Muito embora você não se sinta com vontade de ler nada, realmente creio que estas páginas trarão ajuda. Escrevo-as tendo em mente pes­soas como você... Pessoas que começaram a questionar suas próprias palavras e a duvidar de seu próprio valor. Pessoas que se acham presas ao vale onde o sol raramente brilha e os outros raramente se importam com al­guém.
 
Esse é você, não é?

Esse também sou eu mais vezes do que se possa imaginar. As compridas sombras do desânimo muitas vezes têm-se estendido ao longo de meu caminho. Essas ocasiões têm sido acridoces — acres a princípio, doces mais tarde. Por isso, entendo. Não escrevo com base em teoria estéril, mas baseado na reali­dade. Minha pena mergulhou num poço pro fundo. A tinta tem sido escura e muitas vezes fria. Nessas ocasiões tenho lutado com uma falta de autovalor... Batalha comum travada no vale.

Por favor, deixe-me introduzir neste mo­mento uma verdade significativa: Você ainda é valioso. Ainda conta. Sim, você. O "você" que há dentro de sua pele, que tem sua personalidade e sua aparência. Não importa o que afinal lhe conduziu aonde você está hoje, você é a pessoa com quem eu gostaria de conversar por alguns instantes. Muito embora talvez se julgue desnecessário aos outros e que nin­guém tem notado sua presença, eu ainda gos­taria de trocar algumas palavras com você. Sim, mesmo que você seja sujo e culpado.

Tenho apenas um alvo em mente: incenti­vá-lo.

Você familiarizou-se com desapontamen­tos, com sonhos desfeitos e com desilusão. Crise parece ser sua companheira mais ínti­ma. Como um malho de cinco quilos, sua dor de cabeça o vem martelando perigosamente ao ponto de levá-lo ao desespero. A menos que eu esteja errado, o negativismo e o cinismo se infiltraram em sua conduta.

Você vê pouca esperança no dobrar da esquina. Como disse um gaiato: "A luz que se vê no fim do túnel é o farol de um trem que se aproxima." Você concorda com um aceno de cabeça, mas é provável que não esteja sorrindo. A vida tor­nou-se terrivelmente sem graça.

Amigo cansado, cambaleante, abatido, de­sanimado, tenha ânimo!

O Senhor Deus pode erguê-lo e ele o fará. Não há cova tão profunda que ele não seja mais profundo ainda. Não há vale tão sombrio que a luz de sua verdade não possa penetrar. Em sua própria maneira inescrutável, ele usará o discernimento destas poucas páginas para trazer de volta o único ingrediente que derramou de sua vida. Enco­rajamento.

Se você sente falta desse ingrediente, e ne­cessita dele e o deseja, continue a ler. E se o encontrar, divulgue-o por todos os meios!

Alguém perto de você pode estar pensando em desistir da busca.

Extraído do livro: Dê-me Ânimo - Charles R. Swindoll

A Graça e a Paz do Senhor Jesus,

Moacir Neto