segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A necessidade da cruz


Então ele [Jesus] começou a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do homem sofresse muitas coisas e... fosse morto... Ele falou claramente a esse respeito.  Marcos 8.31-32

Antes de chegarmos à confrontação entre Jesus e Pedro, talvez seja útil comentar um pouco sobre o contexto histórico.

Por mais de setecentos anos, Israel havia sido oprimido por sucessivos impérios: Assíria, Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma — exceto por um breve período revigorante sob o comando dos macabeus.

Na virada do primeiro século, surgiu um grande número de movimentos apocalípticos, cujos líderes faziam promessas mirabolantes. Javé iria intervir através do Messias, diziam eles; os inimigos de Israel seriam destruídos em um conflito violento e sangrento, e a era messiânica de paz e liberdade se estabeleceria.

A própria Galiléia era um viveiro dessas expectativas, e alguns estavam concentrando suas esperanças em Jesus de Nazaré. Desse modo, João registra que, “sabendo Jesus que pretendiam proclamá-lo rei à força, retirou-se novamente sozinho para o monte” (Jo 6.15).

Jesus, contudo, não tinha vindo para ser nenhum tipo de messias militar. Daí a ordem para que nada dissessem.

Agora, no entanto, uma vez que Pedro havia confessado Jesus como Messias, os discípulos deveriam estar prontos para saber sobre os seus sofrimentos. Jesus então “começou a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do homem sofresse muitas coisas e... fosse morto” (Mc 8.31). Além disso, ele falou sobre esse tema de maneira clara e transparente; não havia necessidade de silêncio.

Pedro escutou aterrorizado e depois explodiu: “Nunca, Senhor! Isso nunca te acontecerá!” (Mt 16.22). Pedro deveria estar familiarizado com a figura do Filho do homem, descrita no capítulo 7 de Daniel, que “recebeu autoridade, glória e o reino” (Dn 7.14), de modo que todas as nações o adoravam. Como então poderia o Filho do homem sofrer? Tratava-se de uma contradição.

Pedro então foi atrevido o suficiente para repreender Jesus, e este agora repreende Pedro: “Para trás de mim, Satanás!”, disse ele (Mt 16.23). O mesmo Pedro que havia recebido uma revelação divina tornava-se agora um objeto do engano de Satanás.

Ainda hoje a voz de Pedro às vezes se sobrepõe à de Cristo, pois, como Pedro, muitas pessoas negam a necessidade da cruz.

A cruz ainda é uma pedra de tropeço para o orgulho humano.

E começou a ensinar-lhes que importava que o Filho do homem padecesse muito, e que fosse rejeitado pelos anciãos e príncipes dos sacerdotes, e pelos escribas, e que fosse morto, mas que depois de três dias ressuscitaria.

E dizia abertamente estas palavras. E Pedro o tomou à parte, e começou a repreendê-lo. 
Mas ele, virando-se, e olhando para os seus discípulos, repreendeu a Pedro, dizendo: Retira-te de diante de mim, Satanás; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas as que são dos homens. Marcos 8:31-33

Retirado de A Bíblia Toda, O Ano Todo (Editora Ultimato, 2007)

Por Lidiomar

Graça e Paz