quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Voto contrário


Repudiarei todo mal. Odeio a conduta dos infiéis; Longe estou dos perversos de coração; não quero envolver-me com o mal. Farei calar ao que difama o próximo às ocultas. Não vou tolerar o homem de olhos arrogantes e de coração orgulhoso. Meus olhos aprovam os fiéis da terra, e eles habitarão comigo. O mentiroso não permanecerá na minha presença. (Sl 101.3-7.) 

O apoio não manifesto torna-se condenação. A condenação não manifesta torna-se apoio. O apoio a uma causa justa não pode ficar só na mente ou no coração. A condenação a uma causa injusta não pode ficar só na mente ou no coração. 

O silêncio raramente significa neutralidade. No mais das vezes indica opinião contrária à que está na mente ou no coração. 

O Salmo 101 registra uma série de decisões corajosas, uma série de votos contrários: “Repudiarei todo mal”, ”Odeio a conduta dos infiéis”, “Longe estou dos perversos”, “Não quero envolver-me com o mal”, “Farei calar ao que difama o próximo às ocultas”, “Não vou tolerar o homem de olhos arrogantes”, “O mentiroso não permanecerá na minha presença” (Sl 101.3-7).

Nesse mesmo salmo, em meio a tanto votos contrários, há também um voto a favor: “Meus olhos aprovam os fiéis da terra” (Sl 101.6). 

Em certas circunstâncias, tanto o voto contrário como o voto a favor são extremamente saudáveis e exigem uma boa dose de ousadia. Os não-cristãos e os cristãos não comprometidos, com raras exceções, formam uma maioria que intimida quem quer votar com consciência. 

O evangelho registra que o clamor das multidões a favor da soltura de Barrabás e da crucificação de Jesus prevaleceu (Lc 23.23). No mesmo capítulo, lê-se que, na reunião do Sinédrio que condenou Jesus à morte, o voto de José de Arimatéia foi um voto vencido (Lc 23.51). 

Antes do episódio da estrada de Damasco, Paulo votava sempre a favor da morte dos cristãos (At 26.10). Depois tornou-se um deles. 

A conversão muda a vida e o voto! 

Retirado de Refeições Diárias Com o Sabor dos Salmos (Editora Ultimato, 2006) 

Transcrito por Litrazini 

Graça e Paz