quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A relevância dos cânticos


Para os reformadores, os cânticos tinham um grande apelo didático, objetando até mesmo a fixação das Escrituras.

Como Palavra de Deus, cantar as Escrituras significa relembrar e fixar seus ensinamentos .
Calvino não ignorava o poder da música “… para agitar as emoções do ser humano” . Ele escreveu: “… o canto tem grande força e vigor para mover e inflamar os corações dos homens, a fim de invocar e louvar a Deus com um mais veemente e ardente zelo” .

O canto tem também relação direta com a experiência religiosa, e não simplesmente a momentos de lazer e entretenimento.

Cantar, além de refletir a fé (quando o conteúdo é amparado na Palavra), também serve de estímulo espiritual. É como o “falar entre vós com salmos” (Ef 5.19). Uma fé que se expressa em cântico se fortalece do conteúdo proveniente da Palavra de Deus.

O cântico congregacional tornou-se parte importante na liturgia de Calvino . O cântico a quatro vozes era utilizado no culto, todavia, enfatizou o cântico congregacional. Ainda que fosse apreciador da harpa, os cânticos eram como na sinagoga, sem acompanhamento instrumental.


Calvino entendia que algumas práticas do Antigo Testamento faziam parte da infância espiritual do povo; entre elas, o uso de instrumentos no culto .

Outro aspecto importante: as orações eram sugeridas, mas não deveriam ser lidas; eram espontâneas. O pai-nosso e o Credo apostólico eram recitados pela congregação. A eucaristia foi posta como elemento integrante do culto público.


A Palavra de Deus recebeu destaque como elemento central do culto. “As Igrejas Reformadas simbolizaram isto nos edifícios que ergueram durante a Reforma, ao colocar o púlpito à frente e no centro do templo” .

Quanto à questão da música na Igreja, Calvino afirmou:

E, na verdade, conhecemos por experiência que o canto possui grande força e poder de comover e inflamar o coração dos homens para invocar e louvar a Deus com zelo mais veemente e ardoroso.


Há sempre a considerar-se que o canto não seja frívolo e leviano; pelo contrário, tenha peso e majestade, como diz Agostinho.

Calvino também optou por Salmos, entendendo que somente a Palavra de Deus era digna de ser cantada. No “Prefácio” do saltério genebrino, ele explicou os motivos dessa prática:


Os salmos nos incitam a louvar a Deus, orar a ele, meditar nas suas obras a fim de que os amemos, temamos, honremos e o glorificamos. O que Santo Agostinho diz é totalmente verdade; a pessoa não pode cantar nada mais digno de Deus do que aquilo que recebermos dele.


Essa declaração revela o princípio da inspiração bíblica: os salmos provêm do Espírito Santo. Ele entendia que “os salmos constituem uma expressão muito apropriada da fé reformada” , e que “Tudo quanto nos serve de encorajamento, ao nos pormos a buscar a Deus em oração, nos é ensinado [em Salmos]” .


Portanto, salmos é um guia seguro para a edificação da Igreja, que pode cantá-lo sem correr o risco de proferir heresias melodiosas. Ele considerava os salmos “uma anatomia de todas as partes da alma”.

Na elaboração do que veio a ser chamado Saltério genebrino, Calvino traduziu alguns salmos, valendo-se do talento de poetas e compositores. O saltério tornou-se “um dos livros mais importantes da reforma” e um protótipo dos hinários procedentes da Reforma.


Os salmos tiveram um papel extremamente marcante na formação espiritual dos reformados, sendo também uma de suas grandes demonstrações de fé:

O cântico de salmos tornou-se essencial para a piedade calvinista. Os protestantes franceses, ao serem levados para a prisão ou para a fogueira, cantavam salmos com tanta veemência que foi proibido por lei cantar salmos e aqueles que persistiam tinham sua língua cortada. O salmo 68 era a Marselhesa huguenote.

Devemos observar que os hinos da Igreja não precisam estar limitados a Salmos, mesmo reconhecendo seu indiscutível valor como Palavra inspirada de Deus. Além disso, deve ser observado que muitos dos salmos refletem de modo evidente a expressão de fé de servos de Deus na antiga aliança, que ainda não se planificara em Cristo, aquele que selou a nova aliança com o próprio sangue.


Pelo que pudemos ver até aqui, torna-se evidente que a Igreja, através da história, expressou sua fé de modo vivo e vibrante mediante hinos, elaborando sua teologia de forma clara e simples, a fim de que todos pudessem entendê-la e cantá-la.


A música foi empregada não simplesmente pela música, antes, de tal forma que estivesse a serviço da mensagem e da letra do próprio evangelho.

Fonte: Cante as escrituras / Vinac


Por Litrazini

Graça e Paz