domingo, 9 de setembro de 2012

Deus nos fez simples e direitos, mas nós complicamos tudo.


Disciplina da Simplicidade

Tudo ao nosso redor trabalha contra a reorganização e contra a simplificação de nossas vidas. Tudo! O nosso mundo é confuso e complicado. Mas não foi assim que Deus o criou. Foi essa humanidade depravada e insaciável que o fez tornar desse jeito!

Deus nos fez simples e direitos, mas nós complicamos tudo.  - Eclesiastes 7:29(TLH)

Os anúncios de publicidade têm um alvo básico:
Tornar-nos descontentes, miseravelmente insatisfei­tos com o que somos e com o que temos. Por quê? Para que venhamos a adquirir o que eles nos ofere­cem. O lema da nossa sociedade consumidora é um alto e dogmático - mais! Nada é satisfatoriamente suficiente.

Qualquer um que se inicia no mundo dos negó­cios ou no mundo religioso sente que deve apren­der rapidamente acerca da competição, o que mul­tiplica a pressão, aumenta as expectativas, e acelera a velocidade.

Muito embora a competição tenha os seus benefícios, quem pode medir os efeitos secun­dários indesejados que surgem quando ela é exage­rada a ponto de ficar fora de controle? Quotas não são nunca suficientes. Relaxar a tensão nunca é uma opção. O tamanho e a quantidade são sempre insuficientes. 

Salomão, o sábio, estava absoluta­mente correto: "Nós complicamos tudo."

E não somente adquirimos coisas... também as guardamos, as acumulamos. E, ainda, não estamos simplesmente competindo... somos levados a vencer, sempre a vencer qualquer compe­tição. E não apenas queremos mais, temos de despender mais tempo na manutenção de todas essas coisas. Manter à frente nessa corrida malu­ca nos faz ficar exaustos, ansiosos, sem fôlego.

Certamente Deus não é o responsável por essa confusão. O que Thomas Kelly disse a esse respeito vem agora à minha mente. Ele lembra aos seus lei­tores que Deus "nunca nos guia a uma intolerável situação de um estado febril ofegante."

Para reorganizar o nosso próprio mundo, a ne­cessidade de simplificar é imperativa. Caso contrário, nós não conseguiremos encontrar descanso dentro de nós, não conseguiremos entrar nos profundos e silenciosos recessos de nosso coração, lá onde as melhores mensagens de Deus nos são comunicadas. E se por muito tempo vivermos nessas condições, nosso coração ficará gelado em relação a Cristo, e acabaremos nos tornando alvos da sedução, num mundo perverso. Que perigos nos assediarão se chegarmos a esse estado!

Lembro-me agora de uma advertência que Paulo fez aos seus amigos daquela comunidade ocupada, carnal, consumidora, de Corinto:

Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devi­das a Cristo - 2 Coríntios 11:3

Em certas horas eu também sinto o mesmo re­ceio. "Apartar-se", como disse Paulo, é algo que pode ocorrer nos lugares mais insuspeitos: num lar em que todos os membros da família sejam crentes... numa igreja em que a verdade seja ensinada e em que Cristo seja exaltado... até mesmo num seminá­rio, onde os estudantes estejam muito ocupados, sejam muito pressionados a produzir, sintam-se exaustos em suas tentativas de manter o equilíbrio entre o trabalho, os estudos, a recreação, as neces­sidades familiares, o descanso físico e os compro­missos externos de seus ministérios.

Eu receio, confesso, que tal contexto possa desencaminhar alguns em relação à específica razão pela qual se matricularam no seminário: encontrar contentamento na simplicidade e na pureza devi­das a Cristo.

Que estranho! No mesmo local em que homens e mulheres estão sendo treinados para se tornarem mensageiros e servos de Deus, há perigos bem reais que levam às consequências de uma vida complicada. Se aqui isso pode ocorrer, isso pode acontecer em qualquer lugar.

A nossa ocupação tor­na-se uma perigosa inimiga, sempre que ela levan­ta a sua cabeça doentia.

Extraído do livro Intimidade com o Todo-Poderoso de Charles R. Swindoll