sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Resgatando a paternidade integral – Parte 4

Todo filho espera que o pai reconheça o poder de uma declaração de amor
 
Nada nutre mais o coração dos filhos do que a verbalização sincera do nosso amor por eles.
 
Na maioria esmagadora dos lares onde fomos criados, o hábito de externar, verbalizar o amor por meio de expressões e de afirmações era uma raridade. Nossas mães, naturalmente, tinham maior facilidade para dizer coisas amorosas a cada um de nós. Mas e os pais? Provavelmente, haverá leitores com idade bem avançada que jamais ouviram seus pais dizerem uma só palavra de amor a eles em toda a sua vida.
 
É interessante notar que em algumas famílias, ainda hoje, há muita dificuldade para dizer um para o outro estas duas palavrinhas “te amo” ou “amo você”.
 
Há famílias nas quais se percebe uma barreira, algo quase intransponível, para expressões de amor dos pais em relação a seus filhos.
 
Certa vez, uma jovem veio até mim chorando e disse: “Pastor, ore por mim. Ore por mim”. Eu perguntei o motivo pelo qual deveria orar, e ela respondeu:“ Porque toda vez que me aproximo de minha mãe para dizer que eu a amo, eu não consigo, eu travo. Há uma barreira aparentemente intransponível entre mim e minha mãe . Eu simplesmente não consigo dizer que a amo, mesmo tentando insistentemente”.
 
Há quem não consiga dizer “te amo” ao pai. E por que temos isso em nosso meio? Amar e ser amado são as necessidades mais básicas de todo ser humano. Nascemos com fome de amor.
 
Se lermos todo o evangelho, não vamos encontrar, nem uma única vez, alguém dizendo “te amo” de forma espontânea e voluntária a Jesus. Mas o contrário acontece. Encontramos Jesus perguntando a Pedro sobre o amor quando Jesus o restaurou às margens do Mar da Galileia (João 21.15-17):
 
Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, você me ama mais do que estes?” Disse ele: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”. Disse Jesus: “Cuide dos meus cordeiros”. Novamente Jesus disse: “Simão, filho de João, você me ama?” Ele respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”. Disse Jesus: “Pastoreie as minhas ovelhas”. Pela terceira vez, ele lhe disse: “Simão, filho de João, você me ama?”. Pedro ficou magoado por Jesus lhe ter perguntado pela terceira vez “Você me ama?” e lhe disse: “Senhor, tu sabes todas as coisas e sabes que te amo”. Disse-lhe Jesus: “Cuide das minhas ovelhas”.
 
Todo esforço que fazemos no sentido de demonstrar e estimular a nossa capacidade de amar se reflete na autoestima de nossos filhos e até mesmo na saúde física deles. Quando o pai e a mãe dizem frequentemente ao filho que o amam, eles providenciam para ele uma espécie de tratamento preventivo de saúde física e emocional.
 
Certo dia, um pai de família entrou no quarto de seu filho e viu escrito na parede. “EU SOU BOM…” Talvez você pode estar pensando, este menino é arrogante, petulante para fazer uma declaração assim. Porém, a frase continuava assim “…PORQUE FOI DEUS QUEM ME FEZ E ELE NÃO FAZ BOBAGEM!”
 
Será que nossos filhos precisam sofrer e escrever na parede que são preciosos projetos de Deus? Não podemos dizer a eles? Não podemos parar de rotular seus comportamentos de maneira tão cruel? Sejamos abençoadores. Que haja sempre em nosso vocabulário o que está no coração de Deus. Que digamos assim: “Filho, Deus caprichou quando fez você. Veja só, quanto talento e quanta beleza em uma só pessoa!”.
 
Douglas, meu filho, tem 24 anos, Letícia tem 27 e Pedrinho tem 15. Entre nós, não há qualquer constrangimento e nenhuma dificuldade para dizermos um para o outro “te amo, te amo, te amo”. Já houve situações quando eu percebi que Pedrinho estava precisando ouvir isso de mim. E eu disse que faria uma declaração de amor a ele.
 
Então escrevi algo, digitei no meu computador, imprimi e coloquei na parede do quarto dele. Eu escrevi assim: “Gerar um filho é ter o privilégio de ser pai. Ser pai é ser participante da criação divina. Você é o sonho que Deus resolveu a realizar usando-nos como instrumentos. Dizer que te amo é uma forma de expressar o que sinto quando te vejo como resultado da minha comunhão com sua mãe, que em seu ventre te carregou, em seus braços te embalou, e debaixo das suas asas emocionais sempre te protegeu”.
 
E eu acrescentei: “Você é muito especial como filho. Você é muito importante como ovelha. Você é muito especial como amigo. Você é muito especial como irmão. Você é muito especial como companheiro. Te amo pelo que você é. Te amo pelo que você representa. Te amo pelo que você não consegue fazer. Te amo simplesmente porque você é filho do amor”.
 
Os nossos filhos precisam disso. Do contrário, eles sairão de casa com a impressão de que não estão debaixo da bênção do amor de seus pais. Quando vão à escola, quando saem com amigos, enfim, eles precisam da segurança que as expressões de amor podem gerar dentro do coração e da mente deles.
Pouco antes de Jesus ir para o deserto, para o grande enfrentamento com Satanás, a Bíblia diz que uma situação semelhante aconteceu: “Assim que Jesus foi batizado, saiu da água. Naquele momento o céu se abriu, e ele viu o Espírito de Deus descendo como pomba e pousando sobre ele. Então uma voz dos céus disse: ‘Este é o meu Filho amado, em quem me agrado’” (Mateus 3.16-17).
 
Jesus não foi para o deserto ser enfrentado pelo diabo sem antes ter a certeza de ser amado pelo Pai. Do mesmo modo, sua filha não pode sair de casa para ir à faculdade sem a certeza de que é amada. Seu filho não pode sair de casa para o trabalho sem a certeza de que é amado, pois, quando saímos com a certeza de que estamos debaixo da bênção do amor dos nossos pais, temos mais autoridade para enfrentar o diabo.
 
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Pastor Josué Gonçalves
A Graça e a Paz do Senhor Jesus Cristo,
Moacir Neto