domingo, 18 de novembro de 2012

Santo ou humano?


Santo e humano, podemos ser os dois?

De várias maneiras ser santo e ser humano é um paradoxo. Mesmo assim, este é um desafio que todo cristão enfrenta.

Como cristãos, devemos ser santos, separados, santificados e puros. Como seres humanos, entretanto, temos que confessar que esta verdade não parece ser tão absoluta, pois parece estar sempre distante de nós.

Quase sempre não nos sentimos santos. Nunca fomos e nunca seremos, pelo menos neste lado da eternidade.

Na verdade, somos chamados para ser uma coisa para a qual nos sentimos incapazes. Somos pecadores chamados para ser santos. Nossa tarefa é tão difícil quanto tentar encravar um pequeno alfinete no concreto, com um martelo de borracha. Tanto a ferramenta quanto o operário são inadequados para a tarefa. Por isso, existe dentro de cada um de nós uma luta interior entre o santo e o humano.

Se em algum lugar da terra existe um devoto de Deus que se mantenha sempre livre de fraquezas, desconheço – pois não me foi apresentado. Mas isto foi demonstrado: Que fraquejando e erguendo-nos de novo sempre somos sustentados no amor.( Kesler Jay. Sendo Santo, Sendo Humano (Minneapolis, Minnesota, USA: Bethany House Publisher, 1998), p.182.)


Alguém tentando ser santo nega a própria humanidade, como se ser humano fosse algo errado. Tem medo de expor os sentimentos de fraqueza, dúvida e incapacidade; então, esconde estes sentimentos, querendo revelar uma santidade inexistente, a qual Deus nunca ensinou.


A santidade ensinada por Deus é aperfeiçoada na fraqueza humana e não na negação dela. (1 Samuel 21.1-15)

Deus mesmo se fez homem, portanto nada há de errado em nossa humanidade. Outro, incapaz de
viver uma vida de santidade, desiste da sua busca, se tornando cético ou hipócrita.

Alguns, no desejo de revelar uma vida poderosa e santa, querem anular lado humano e viver somente no espírito. Esta impossível tarefa os faz adoecer, já que tentam atingir um alvo inatingível,
quando são confrontados pela santidade de Deus e por sua própria falibilidade.

Existem certos assuntos em que a maioria dos cristãos não gosta de tocar. De boa vontade ninguém
revela ou admite que tem problemas com o ressentimento, dúvida, sexo, dinheiro, carnalidade, estresse ou estafa, ira e muitos outros incômodos, presentes no interior de todos nós. Muitos destes problemas não se manifestam na vida dos cristãos, porque eles são infiéis à santidade de Deus. As aflições por eles enfrentadas se originam, quando esquecem que são seres humanos.

Cristãos bem sucedidos não são aqueles que são perfeitos ou capazes, pelo contrário, este equilíbrio entre o santo e o humano é fundamental.

O cristão precisa estar plenamente contente com quem ele (a) é; tanto quanto deve estar feliz com o que ele (a) faz e vice-versa.

A vida cristã não separa o indivíduo em duas diferentes pessoas, antes harmoniza a nossa humanidade com a santidade de Deus.


Como aconteceu com Davi, existem situações que nos levam a confrontar a nós mesmos. Alguns acontecimentos nos levam a olhar o espelho das nossas próprias almas. Aquilo que descobrimos ainda existente dentro de nós nem sempre é bonito. Ficamos surpresos quando detectamos, em nós coisas das quais pensávamos estar livres.

Este exercício de introspecção incomoda a princípio, mas conduz ao crescimento. As respostas são
encontradas quando olhamos para os lugares certos. A cura acontece, quando o diagnóstico é correto. Só assim o remédio pode ser aplicado.

Por muitas razões é bom que tenhamos que lutar com as dificuldades da vida; elas ajudam a nos manter humildes, a nos fazer melhores, a continuar inteiramente dependentes de Deus.

Extraído do livro transformando lágrimas em vinho de autoria do Dr. Silmar Coelho

Por Litrazini

Graça e Paz