segunda-feira, 18 de março de 2013

O ministério do Espírito da verdade


Tenho ainda muito que lhes dizer, mas vocês não o podem suportar agora. Mas quando o Espírito da verdade vier, ele os guiará a toda a verdade. João 16.12-13

No cerne do discurso do Cenáculo estão duas promessas relacionadas ao ministério de ensino do Espírito da verdade. Primeiro, o Espírito da verdade “lhes fará lembrar tudo o que eu lhes disse” (14.26). Embora cristãos que não têm boa memória às vezes reivindiquem essa promessa, sua referência primeira foi aos apóstolos.

Por três anos Jesus os havia ensinado. Agora ele quer que esse rico patrimônio da verdade seja preservado. Ele havia ensinado; o Espírito Santo os lembraria. A promessa se cumpriu quando os Evangelhos foram escritos.

Segundo, o Espírito da verdade “os guiará [vocês] a toda a verdade” (16.13). Duvido que algum outro texto bíblico tenha tido mais má interpretação que este. A questão diz respeito à identidade do “vocês” na promessa “ele os guiará a toda a verdade”.

Os católicos romanos a aplicam ao papa e ao colégio de bispos considerados sucessores dos apóstolos; os ortodoxos, à igreja e à sua tradição viva; os teólogos liberais, ao clima da opinião instruída; e os pentecostais, a todo crente cheio do Espírito. Os cristãos reformados e evangelicais, no entanto, insistem que o “vocês” deve se referir aos apóstolos reunidos ao redor de Jesus no Cenáculo.

O pronome “vocês” (bem como “lhes” e “os”) aparece quatro vezes em João 16.12-13: “Tenho ainda muito que lhes dizer, mas vocês não o podem suportar agora. Mas quando o Espírito da verdade vier, ele os guiará a toda a verdade. Não falará de si mesmo; falará apenas o que ouvir, e lhes anunciará o que está por vir” (ênfase acrescentada). Os dois primeiros “vocês” definitivamente se referem aos apóstolos. Os dois últimos também devem se referir a eles, uma vez que não podemos mudar a identidade do pronome vocês no meio do parágrafo. Assim, Jesus considerou seu ministério de ensino incompleto. 

Havia muito mais que ele queria ensinar aos apóstolos, mas eles eram incapazes de receber tudo. Desse modo, o Espírito Santo completaria aquilo que Jesus deixou incompleto. Ele guiaria os apóstolos a toda a verdade que ele queria que eles conhecessem, uma promessa que se cumpriu quando o livro de Atos, as Cartas e o Apocalipse foram escritos.

Portanto, o Espírito Santo teve um ministério de recordação e de suplementação, ambos cumpridos no registro escrito do Novo Testamento.

Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim. E vós também testificareis, pois estivestes comigo desde o princípio.  João 15.26-27;

Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora. Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar. Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar. João 16.12-15

Retirado de A Bíblia Toda, o Ano Todo – meditações diárias de Gênesis a Apocalipse (John Stott). Editora Ultimato, 2007.

Por Litrazini

Graça e Paz