quinta-feira, 2 de maio de 2013

A promessa do Espírito


Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas [...] até os confins da terra. Atos 1.8

No período de quarenta dias entre a Páscoa e a Ascensão, Jesus concentrou seu ensino em dois tópicos principais: o reino de Deus e o Espírito de Deus, cuja chegada ele, o Pai (no Antigo Testamento) e João Batista haviam prometido. Parece que Jesus relacionou os dois tópicos, como fizeram os profetas no Antigo Testamento, afirmando que o derramamento do Espírito seria uma das maiores bênçãos do reino do Messias. A compreensão dos apóstolos em relação a esses acontecimentos, no entanto, parece ter sido confusa, como fica evidente na pergunta que eles fizeram a Jesus: “Senhor, é neste tempo que vais restaurar o reino a Israel?” (v. 6). Há vários erros nessa pergunta.

Primeiro, ao perguntar sobre a restauração do reino, fica claro que os apóstolos ainda sonhavam com a libertação política de Roma. Ao responder a eles, porém, Jesus afirma que o Espírito Santo lhes daria poder para testemunhar. O reino de Deus é a implantação de seu governo sobre o seu povo. Ele é propagado por meio de testemunhas, não de soldados, através do evangelho da paz, não de uma declaração de guerra.

Segundo, ao perguntar sobre a restauração de Israel, fica evidente que os apóstolos ainda alimentavam aspirações limitadas ou nacionalistas. Eles esperavam que Jesus restaurasse a independência política de Israel, recuperada pelos macabeus durante um curto período no segundo século antes de Cristo. A resposta de Jesus ampliou seus horizontes. Eles começariam a testemunhar em Jerusalém, continuariam pela região da Judeia e chegariam “até os confins da terra”.

Terceiro, ao perguntar se Jesus iria restaurar o reino a Israel “neste tempo”, eles estavam sendo presunçosos, como se já soubessem a resposta. Jesus começa dizendo que não lhes cabia saber tempos e datas que o Pai havia estabelecido pela sua própria autoridade, e em seguida diz aquilo que deveriam saber: eles receberiam poder do Espírito para testemunhar “até os confins da terra”. Na verdade, o tempo entre o Pentecostes e a Parousia (quer seja longo ou curto) deve ser preenchido com a obra missionária da igreja por todo o mundo.

Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar, Até ao dia em que foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera; Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando das coisas concernentes ao reino de Deus. E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes. Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias. Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?

E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder. Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra. Atos 1.1-8

Retirado de A Bíblia Toda, O Ano Todo (John Stott). Editora Ultimato. 2007.

Por Litrazini
http://www.kairosministeriomissionario.com/

Graça e Paz