quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O manifesto de Nazaré

O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. [Lucas 4.18]

Mateus e Marcos situam a visita de Jesus à sinagoga de Nazaré mais adiante em seu ministério. Lucas, no entanto, a coloca deliberadamente bem no início de seu ministério, porque ele a vê como um prenúncio profético da mensagem de Jesus e de sua rejeição por parte de seu próprio povo.

Jesus leu os dois primeiros versículos de Isaías 61 e imediatamente afirmou que Isaías estava se referindo a ele. “Hoje se cumpriu a Escritura que vocês acabaram de ouvir” (Lc 4.21). Ele era o Messias, o ungido, que havia sido designado para trazer libertação a quatro categorias de pessoas — aos pobres, aos cativos, aos cegos e aos oprimidos.

A questão crucial é se a condição desses grupos é espiritual ou sociopolítica. Há respostas diferentes. Alguns espiritualizam o evangelho, como se ele oferecesse somente salvação do pecado. Outros politizam o evangelho, como se ele oferecesse somente libertação da opressão. Nenhuma dessas posições, no entanto, é satisfatória, pois nenhuma das duas faz justiça ao texto.

Os que o espiritualizam se esquecem de que Jesus teve comunhão com os pobres, ao passo que os que o politizam se esquecem de que a palavra grega para liberdade (v. 18) pode também significar “perdão”.

A única maneira de resolver esse dilema é dizer que ambos estão corretos, uma vez que Jesus ensinou ambas as coisas. Os pobres no Antigo Testamento eram pessoas humildes, que clamavam a Deus por misericórdia, e pessoas oprimidas, que necessitavam ser libertas.

Além disso, “o evangelho vem como boas novas para ambos. Os espiritualmente pobres, que… se humilham diante de Deus, recebem pela fé o dom gratuito da salvação… Os materialmente pobres e sem forças encontram, além da nova dignidade como filhos de Deus, o amor de irmãos e irmãs, que lutarão para a sua libertação de tudo que os rebaixa e oprime”.

O que é verdadeiro acerca dos pobres (tanto material quanto espiritualmente) é também verdadeiro sobre os cativos, os cegos e os oprimidos. O evangelho é boa nova para eles também em ambos os sentidos.

Então, pela virtude do Espírito, voltou Jesus para a Galiléia, e a sua fama correu por todas as terras em derredor. E ensinava nas suas sinagogas, e por todos era louvado. E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga, e levantou-se para ler. E foi-lhe dado o livro do profeta Isaías; e, quando abriu o livro, achou o lugar em que estava escrito: O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados de coração, A pregar liberdade aos cativos, E restauração da vista aos cegos, A pôr em liberdade os oprimidos, A anunciar o ano aceitável do Senhor. E, cerrando o livro, e tornando-o a dar ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele. Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos. Lucas 4.14-21

Retirado de A Bíblia Toda, o Ano Todo  [John Stott]. Editora Ultimato.

Por Litrazini


Graça e Paz