sábado, 3 de maio de 2014

Combatendo o bom combate:

Algumas lições da segunda epístola de Paulo a Timóteo

Este estudo pretende abordar algumas reflexões sobre o nosso comportamento enquanto cristãos em face das investidas do mundo contra aquilo para o qual Deus nos chamou. Para tal finalidade, tomamos por base o versículo 15 do capítulo 3 da segunda carta de Paulo a Timóteo. “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar e que maneja bem a palavra da verdade”.

Timóteo era natural de Listra (ou Icônio). Talvez ele seja fruto da pregação de Paulo quando este esteve pela primeira vez em Listra em sua viagem missionária “inaugural”. Paulo o chama de “verdadeiro filho na fé”.

É possível pensar que Timóteo tenha nascido e recebido educação em um rigoroso lar de tradição judaica, que, todavia não conhecia o Senhor Jesus Cristo. Sua mãe era judia, seu pai, grego.

Na segunda viagem missionária de Paulo e Barnabé, este quis levar Marcos. Entretanto, Paulo não achou por bem levarem consigo alguém que os tinha abandonado no meio da viagem missionária e não havia prosseguido no trabalho de confirmação das igrejas. A desavença foi tal que os dois se separaram. Nesse ínterim, Paulo decide levar Silas.

Na chegada de Paulo e Silas à cidade de Listra, os irmãos dão bom testemunho do jovem Timóteo, e Paulo quis que ele fosse em sua companhia na viagem missionária pela região da frígio-galácia (Atos 16:6)

Quando eles chegam à Macedônia, Paulo envia Timóteo a Éfeso (Éfeso era a cidade mais importante da província romana de Ásia Menor. Nela se destacavam iniciativas culturais como escolas filosóficas; escola de magos e muitas manifestações religiosas, sendo a mais significativa em torno de Ártemis: a deusa do meio ambiente conhecida como Diana pelos romanos, a deusa da fertilidade (Atos 19: 8-41)) no sentido de admoestar algumas pessoas para que não ensinassem outra doutrina além daquela que os apóstolos receberam de Jesus Cristo.

Na época que Paulo esteve em Mileto, ele já havia admoestado aos próprios presbíteros da igreja de Éfeso: “… dentre vós se levantaram lobos vorazes (…). (…) e se levantarão homens falando coisas pervertidas para arrastar os discípulos atrás deles”. (Atos 20: 29-30).

Paulo “cantou a bola”. A igreja de Éfeso estava vivendo aquilo que ele havia falado, e Timóteo foi enviado para advertir aos irmãos quanto às questões proferidas anteriormente por Paulo. Mas o que é um jovem pastor frente a “lobos vorazes”? Timóteo estava fielmente levando a cabo aquilo para o qual havia sido designado por seu pai na fé?

Conforme nos mostram as epístolas a Timóteo, este estava “deixando morrer” o dom que Deus tinha dado a ele pela imposição das mãos de Paulo. O que fica patente é um jovem esmorecido no servir ao Senhor e que estava temente quanto às tribulações advindas como conseqüências desse servir.

Fica claro ao longo dos capítulos das epístolas a própria autoridade de Timóteo sendo posta em xeque pelos “lobos vorazes” da igreja de Éfeso, tanto que Paulo chama a atenção: “Ninguém despreze a tua mocidade” (1 Timóteo 4: 14a). É bem provável que algumas pessoas mostrassem a Timóteo o exemplo de Paulo, não no sentido de um servo fiel ao Senhor, mas como alguém que estava sob algemas, encarcerado por causa da palavra de Deus. “Não te envergonhes, portanto, do testemunho de nosso Senhor, nem do seu encarcerado, que sou eu (…)” (2 Timóteo 1: 8a).

O versículo 15 do capítulo 3 nos mostra um período que se divide em três sentenças direcionadas a um sujeito: Timóteo. Paulo  começa a frase com um verbo no modo imperativo, significando que se trata de uma ordem: procura. O que quer dizer que este não estava tendo o cuidado de procurar sempre estar apresentando-se, no sentido de estar diante, viver perante - ao Senhor aprovado, agradando ao Senhor e não a homens- como obreiro - aquele que está à disposição do Senhor em todo tempo - que não tem do que se envergonhar – pois tem os frutos do Espírito - e que maneja- no sentido de ser um profundo conhecer das Escrituras- bem a Palavra da verdade.

Podemos levantar duas considerações importantes sobre o versículo estudado e aplicá-las nas nossas vidas a fim de crescermos com os ensinamentos das Escrituras Sagradas.

A primeira diz respeito ao fato de não ficarmos com medo e apáticos frente às investidas do mundo. Timóteo estava deixando morrer o dom de Deus nele em virtude das paixões da mocidade. E nós? Como estamos nos comportando frente aquilo para o qual Deus nos chamou? Será que não estamos “quentes” nem “mornos”, mas estamos a ponto de sermos vomitados?

O chamado de Deus deve ser algo que a cada dia vai sendo aperfeiçoado em nós, tanto para o crescimento da igreja como para o nosso próprio crescimento na fé cristã, tendo as Escrituras como luz na nossa caminhada, a fim de nos apresentarmos a Deus sem reprovação, mas cheios dos frutos do Espírito Santo.

A segunda diz respeito a não se envergonhar do evangelho de Cristo quando aquilo para o qual Deus nos chamou resulta em sofrimento e em perseguição por parte do mundo. Devemos ter em mente que até as algemas são para o nosso bem e que até por meios delas o nome de Jesus é engrandecido. Tudo coopera para o bem dos que amam ao Senhor, inclusive o nosso fracasso aos olhos do mundo.

Conclusão
Podemos aprender com o texto estudado que não podemos nos acovardar diante dos ataques do mundo, e nem deixarmos morrer o dom de Deus em nós em virtude das investidas de Satanás e das nossas próprias paixões. Como disse Paulo, “nenhum soldado em serviço se envolve em coisas desta vida”, pelo contrário, temos que olhar para o nosso alvo, Cristo, e, sem se envergonhar do evangelho, reavivar aquilo que, porventura, estiver morrendo.

Autor: Cleiton Maciel Brito

Por Litrazini

Graça e Paz