domingo, 22 de junho de 2014

A providência de Deus

Espero visitá-los [em Roma] de passagem e dar-lhes a oportunidade de me ajudarem em minha viagem para lá [Espanha]. [Romanos 15.24]

Os capítulos 27 e 28 de Atos são importantes porque nos falam da providência de Deus e ilustram a seguinte verdade: “Não há sabedoria alguma, nem discernimento algum, nem plano algum que possa opor-se ao Senhor” (Pv 21.30). A providência de Deus pode ser constatada nestes capítulos de duas maneiras: ao trazer Paulo a Roma e ao fazê-lo prisioneiro, em uma combinação inesperada de circunstâncias.

Primeiramente, Lucas pretende nos deixar tão admirados quanto ele com o salvo-conduto obtido por Paulo para ir a Roma. Jesus havia dito a ele, em Jerusalém: “Coragem! Assim como você testemunhou a meu respeito em Jerusalém, deverá testemunhar também em Roma” (At 23.11). Contudo, as circunstâncias pareciam indicar que isso seria impossível. Paulo foi arrastado para a prisão, ameaçado de morte, quase se afogou no Mediterrâneo, quase foi executado pelos soldados e foi picado por uma serpente.

Por trás de todos esses incidentes, havia a ação de forças demoníacas (representadas pelo mar bravio) tentando evitar que Paulo realizasse o propósito de Deus, o plano que Deus havia reservado para ele. Mas Deus impediu que o diabo obstruísse seu plano.

A cena é empolgante! Conseguirá Paulo realizar o propósito de Deus? Sim, ele vai conseguir! Mas como? Paulo chegou a Roma como um prisioneiro. Como isso poderia ser compatível com a providência de Deus? Deus havia dito a Paulo que ele testemunharia em Roma, diante de César (At 27.24), e isso seria impossível, a não ser que Paulo chegasse a Roma como prisioneiro, para ser julgado.

Entretanto, a prisão de Paulo também contribuiu para enriquecer seu testemunho de uma outra forma. Enquanto ele estava na prisão ele escreveu três importantes cartas, Filipenses, Efésios e Colossenses, como um legado à posteridade. Não que ele precisasse passar um tempo na prisão para escrever! Mas, na providência de Deus, há algo de notável nessas cartas da prisão. Elas expressam de forma mais poderosa que qualquer outro texto o senhorio supremo, soberano, inigualável e incomparável de Jesus Cristo.

A pessoa e a obra de Cristo passam a ter uma dimensão cósmica, pois, através de Cristo, Deus criou e redimiu todas as coisas. Além disso, tendo se humilhado até a cruz, ele foi exaltado por Deus ao mais alto lugar, e Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés.

A experiência de Paulo na prisão ajustou sua perspectiva, ampliou seus horizontes, esclareceu sua visão e enriqueceu seu testemunho.

O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência. (Colossenses 1.15-18)

Retirado de A Bíblia Toda, o Ano Todo [John Stott]. Editora Ultimato.


Por Litrazini


Graça e Paz