domingo, 6 de setembro de 2015

A LEI NA ANTIGA ALIANÇA

“Logo, para que é a lei? Foi ordenada por causa das transgressões, ATÉ que viesse a posteridade a quem a promessa tinha sido feita, e foi posta pelos anjos na mão de um medianeiro. Mas, antes que a promessa viesse, estávamos guardados debaixo da lei e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar. De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que, pela fé, fôssemos justificados. Mas, depois que a fé veio, já não estamos debaixo de aio” (Gl 3.19-25)”. 

“A palavra traduzida “lei” (gr. nomos; hb torah) significa “ensino” ou “instrução”. O termo lei pode referir-se aos Dez Mandamentos, ao Pentateuco ou as qualquer mandamento no Antigo Testamento. O uso por Paulo da palavra “lei” pode incluir o sistema sacrificial do concerto mosaico. A respeito dessa lei, Paulo, declara várias vezes:

(1) ELA FOI DADA POR DEUS “POR CAUSA DAS TRANSGRESSÕES”, isto é, a fim de demonstrar que o pecado é a violação da vontade de Deus, e despertar os homens a verem sua necessidade de misericórdia, graça e salvação de Deus em Cristo (Gl 3.24; cf. Rm 5.20; 8.2).

(2) EMBORA O MANDAMENTO FOSSE SANTO, BOM E JUSTO (RM 7.12), ERA INADEQUADO, porque não conseguiu transmitir vida espiritual nem força moral (Gl 3.21; Rm 8.3; Hb 7.18,19)

(3) A LEI FUNCIONOU COMO “AIO” OU TUTOR DO POVO DE DEUS ATÉ QUE VIESSE A SALVAÇÃO EM CRISTO (Gl 3.22-26). Nessa função, a lei revelou a vontade de Deus para o comportamento do seu povo (Ex 19.4-6; 20.1-17; 21.1 – 24.8), proveu sacrifício de sangue para cobrir os pecados do seu povo (ver Lv 1.5; 16.33) e apontou para a morte expiatória de Cristo (Hb 9.14); 10.12-14).

(4) A LEI FOI DADA PARA NOS CONDUZIR A CRISTO A FIM DE SERMOS JUSTIFICADOS PELA FÉ (Gl 3.24). Mas agora que Cristo já veio, finda está a função da lei como supervisora (v.25). Por isso, já não se deve buscar a salvação através das provisões do antigo concerto, nem pela obediência às suas leis e ao seu sistema de sacrifícios. A salvação. AGORA, tem lugar de conformidade com as provisões no NOVO CONCERTO, a saber, a morte expiatória de Cristo, a sua ressurreição gloriosa e o privilégio subsequente de pertencer a Cristo (vv. 27-29)”. 
“Não cuides que vim destruir a lei ou os profetas; não vem ab-rogar, mas cumprir” (Mt 5.17). 

“O propósito de Cristo é que as exigências espirituais da lei de Deus se cumpram na vida dos seus seguidores (Rm 3.31; 8.4). O relacionamento entre o cristão e a lei de Deus envolve os seguintes aspectos:

(1) A lei que o cristão é OBRIGADO a cumprir consiste nos princípios éticos e morais do Antigo Testamento (Mt 7.12; 22.36-40; Rm 3.31; Gl 5.14), bem como nos ensinamentos de Cristo e dos apóstolos (Mt 5.28.20); 1 Co 7.19; Gl 6.2). Essas leis revelam a natureza e a vontade de Deus para todos e continuam hoje em vigor. As leis do AT destinadas diretamente à nação de Israel, tais como as leis sacrificiais, cerimoniais, sociais ou cívicas, já não são obrigatórias (Hb 10.1-4; e.g., Lv 1.2,3; 24.10). 

(2) O cristão não deve considerar a lei como sistema de mandamentos legais através do qual se pode obter mérito para o perdão e a salvação (Gl 2.16, 19). Pelo contrário, a lei deve ser vista como um código moral para aqueles que já estão num relacionamento salvífico com Deus e que, por meio da sua obediência à lei, expressam a vida de Cristo dentro de si mesmos (Rm 6.15-22). 

(3) A fé em Cristo é o ponto de partida para o cumprimento da lei. Mediante a fé nEle, Deus torna-se o nosso Pai (cf. Jo 1.12). Por isso, a obediência que prestamos como crentes não provém somente do nosso relacionamento com Deus como legislador soberano, mas também do relacionamento de filhos para com o Pai (Gl 4.6).

(4) Mediante a fé em Cristo, o crente, pela graça de Deus (Rm 5.21) e pelo Espírito Santo que nele habita (Gl 3.5,14; Rm 8.13), recebe o impulso interior e o poder para cumprir a lei de Deus (Rm 16.25,26; Hb 10.16). Nós a cumprimos, ao andarmos segundo o Espírito (Rm 8.4-14). O Espírito nos ajuda a mortificar as ações pecaminosas do corpo e a cumprir a vontade de Deus (Rm 8.13). Por isso, a conformidade externa com a lei de Deus deve ser acompanhada pela transformação interior do nosso coração e espírito (cf. Mt 5.21-28).

(5) Os cristãos, tendo sido libertos do poder do pecado, e sendo agora servos de Deus (Rm 6.18-22), seguem o princípio da “fé”, pois estão “debaixo da lei de Cristo” (1 Co 9.21). Ao fazermos assim, cumprimos “a lei de Cristo” (Gl 6.2) e em nós mesmos somos fiéis à exigência da lei.

(6) Jesus ensinava enfaticamente que cumprir a vontade do seu Pai celeste é uma condição permanente para a entrada no reino dos céus (Mt 7.21). 

“Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais doutro, daquele que ressuscitou de entre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus” (Rm 7.4). 

“MORTOS PARA A LEI – Já não dependemos da Lei e dos sacrifícios do AT para sermos salvos e aceitos diante de Deus (cf. Gl 3.23-25; 4.4,5). Fomos alienados da antiga aliança da Lei e unidos a Cristo para a salvação. Devemos crer em Jesus (1 Jo 5.13), receber o seu Espírito e a sua graça e, assim, receber perdão, ser regenerados e capacitados para produzir fruto para Deus (Rm 6.22,23; 8.3,4; Ef 2.10; Gl 5.22,23; Cl 1.5,6)”. 

(Os comentários acima foram extraídos da Bíblia de Estudo Pentecostal). 

Em razão do que vimos, não se pode dissociar os Dez Mandamentos da Lei de Moisés. As Dez Palavras fazem parte integrante da lei mosaica; inserem-se no Pentateuco como vontade expressa de Deus. Moisés escreveu sob inspiração divina, porque toda a Escritura é divinamente inspirada (2 Tm 3.16). Da mesma forma, todo o Novo Testamento foi escrito sob o poder do Espírito Santo. Não mais vivemos sob a tutela da Velha Aliança, pois “dizendo Nova aliança, envelheceu a primeira. Ora, o que foi tornado velho, e se envelheceu, perto está de acabar” (Hb 8.13). Se a primeira aliança fosse irrepreensível, “nunca se teria buscado lugar para a segunda” (Hb 8.7). 

Fonte: Palavra da Verdade

Por Litrazini

Graça e Paz