domingo, 10 de janeiro de 2016

UNIGÊNITO SIGNIFICA GERADO?

E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14- Almeida CF). 

Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou” (Jo 1.18).

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). 

Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado; sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito” (Hb 11.17).

Nisto se manifesta o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos” (1 Jo 4.9).
 
UNIGÊNITO (monogenes) é usado cinco vezes, todas nos escritos do apóstolo João, acerca de Jesus como o Filho de Deus; em Hb 11.17 é traduzido por “unigênito”, sobre a relação de Isaque com Abraão.

Com referência a Jesus, a frase “o Unigênito do Pai” (Jo 1.14), indica que, como o Filho de Deus, Ele era o representante exclusivo do Ser e caráter daquele que o enviou. No original, o artigo definido está omitido tanto antes de “Unigênito” quanto antes de “Pai”, e sua ausência em cada caso serve para enfatizar as características referidas nos termos usados.

O objeto do apóstolo João é demonstrar que tipo de glória ele e seus companheiros apóstolos tinham visto. Sabemos que ele não está fazendo somente uma comparação com as relações terrenas, pela indicação da preposição para, que significa “de, proveniente de”.

A glória era de uma relação única e a palavra “Unigênito” não implica um começo de Sua filiação. Sugere, de fato, a relação, mas esta deve ser distinguida da geração conforme é aplicada aos homens. Podemos apenas entender corretamente o termo “unigênito” quando usado para se referir ao Filho, no sentido de relação não originada. “A geração não é um evento no tempo, embora distante, mas um fato independente do tempo.

O Cristo não se tornou, mas necessariamente é o Filho. Ele, uma Pessoa, possui os atributos da deidade pura. Isto torna necessária a eternidade, o ser absoluto; sobre este aspecto Ele não é `depois´ do Pai” (Moule). A expressão também sugere o pensamento de afeto mais profundo, como no caso da palavra hebraica yachid, traduzida no Antigo Testamento por “único” (Gn 22.2,12; Pv 4.3; Jr 6.26; Am 8.10); “unigênito” (Zc 12.10) e “predileta” (Sl 22.20; 35.17).

Em Jo 1.18, a cláusula “O Filho unigênito, que está no seio do Pai”, expressa Sua união eterna com o Pai na deidade e a intimidade e o amor inefáveis entre eles, o Filho tomando parte em todas as deliberações do Pai e desfrutando de todos os Seus afetos. Outra leitura é monogenes theos, “Deus Unigênito”.

Em Jo 3.16, a declaração: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito”, não deve ser considerado que signifique que Jesus se tornou Filho Unigênito na encarnação. O valor e a grandeza do dom acham-se na filiação daquele que foi dado. Sua filiação não era o efeito de Ele ser dado.

Em Jo 3.18, a frase: “O nome do unigênito Filho de Deus”, põe a ênfase na plena revelação do caráter e da vontade de Deus, o Seu amor e graça, conforme são transmitidos no nome daquele que, estando numa relação sem igual com Ele, foi dado por Ele como o objeto de fé.

Em 1 Jo 4.9, a declaração: “Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo”, não quer dizer que Deus enviou ao mundo aquele que ao nascer em Belém se tornaria Seu Filho. Contraste com a declaração paralela encontrada em Gl 4.6: “Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho”, o que não pode significar que Deus enviou aquele que se tornou Seu Espírito quando Ele o enviou “

(Dicionário W.E.Vine) / Pr. Airton Evangelista da Costa

Por Litrazini


Graça e Paz