quarta-feira, 19 de outubro de 2016

VOCÊ ESTÁ ABATIDO NA SUA FÉ?

O exílio ou cativeiro babilônico é o termo utilizado para chamar o exílio dos judeus do antigo Reino de Judá para a Babilônio, no período de Nabucodonosor II, sendo descrito pelos profetas do Antigo Testamento, Jeremias, Ezequiel e Daniel.

A primeira deportação iniciou-se em 598 a.C., quando Jerusalém foi sitiada e o jovem Joaquim, Rei de Judá, rendeu-se voluntariamente. O Templo de Jerusalém foi parcialmente saqueado e boa parte da nobreza, dos oficiais militares e dos artífices, inclusive o rei, foram levados para o Exílio em Babilônia. Zedequias, tio do Rei Joaquim, foi então nomeado como rei vassalo por Nabucodonosor II.

Ocorre que, 11 anos depois, em resultado de nova revolta no Reino de Judá, temos a segunda deportação em 587 a.C. e a consequente destruição de Jerusalém e seu Templo.

É neste momento de total desespero que Jeremias, mergulhado nas profundezas de sua alma, escreve em Lamentações 3:21, um dos versículos bíblicos para mim mais instigantes, quando disse: Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.

Trazendo isso para os nossos dias, temos vivido tempos maus, onde uma sucessão aparentemente infindável de tragédias e acontecimentos têm deixado muitos atordoados, quando não fraquejados em sua fé, com uma tendência a cair no ceticismo ou viver um cristianismo pautado no cinismo.

Situações como o da tragédia dos refugiados, morrendo ao longo do Mar Mediterrâneo quase todos os dias, com a indiferença de boa parte do mundo. Ou o furacão Matthew que na última semana devastou boa parte do Haiti, passando despercebido pela grande mídia, sem nenhuma comoção como quando mataram os editores do Charlie Hebdo ou da boate GLBT em Orlando. Isso quando várias tragédias pessoas e familiares não se avolumam.

Aí, você começa a se perguntar, se você é daquelas pessoas que realmente se importam na forma como o mundo anda, com coisas do tipo: Qual o propósito disso tudo? Onde estava Deus nestes eventos? O que a minha fé pode dar de resposta a essas tragédias humanas?

E aí, que é essencial, como li recentemente em artigo de Priscila Viégas Duque, que o que não nos deixa sucumbir de vez é lembrar das misericórdias de Deus em nossas vidas, de sabermos quem Ele é em nossa existência.

“As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade” (v. 22). A palavra misericórdia, que em hebraico é “hesed”, pode ser traduzida por “aliança de amor” ou “amor imutável”. Diante de tanta adversidade, parece muitas vezes que não há mais esperança, mas Jeremias lembrou que a “hesed” de Deus ainda permanecia sobre seu povo.

Ademais, a confiança em Deus nos permite aceitar o que estamos vivendo em nossas vidas e o que virá, sendo que essa atitude não é o fatalismo, como vemos em algumas crenças, mas, sim fé. Ficamos em silêncio não porque não há o que dizer, mas porque sabem que Deus nos atenderá a seu tempo e a seu modo.

Somente quando abrimos esse nosso olhar para Deus é que conseguimos ver além das circunstâncias deste mundo. Se não temos essa visão, nossa tendência natural é cair no ceticismo ou não ver sentido nenhum na sucessão de fatos que vão se amontoando dia após dia.

Leandro Bueno

Por Litrazini

Graça e Paz