domingo, 23 de outubro de 2016

VOCÊ VAI PARTILHAR A LUZ?

Há muito tempo atrás, ou nem tanto tempo assim, vivia uma tribo numa caverna escura e fria. Os moradores da caverna viviam amontoados, e reclamavam do frio, soltavam longos lamentos em voz alta. Era tudo que sabiam fazer. Os sons na caverna eram fúnebres, mas as pessoas näo sabiam, porque näo sabiam o que era alegria. O espírito na caverna era de morte, mas as pessoas não sabiam, porque não sabiam o que era vida.

Mas então, certo dia, ouviram uma voz diferente.
- Ouvi falar de vocês - anuncia a voz. - Senti o frio de vocês, e vi o escuro que vivem. Vim ajudar.

O povo da caverna ficou quieto. Nunca tinham ouvido tal voz. A esperança soava-lhes estranha aos ouvidos.
- Como vamos saber se você realmente veio para ajudar?
- Confiem em mim - respondeu ele. - tenho o que vocês precisam.

O povo da caverna examinou, através da escuridäo, o perfil do estranho. Ele empilhava alguma coisa, parava e voltava a empilhar.
- O que você está fazendo? - alguém gritou, nervoso.
O estranho näo respondeu
- O que vocês esta fazendo? -alguém gritou mais alto ainda.
Ainda sem resposta.
- Fale para nós! - exigiu o terceiro

O visitante endireitou-se, e falou na direçäo das vozes.
- Tenho o que precisam - Dizendo isso, voltou-se para a pilha a seus pés, e ateou fogo. A madeira incendiou-se, as chamas subiram e a luz encheu a caverna.
O povo da caverna deu as costas, amedrontado.
- Apague isso! - berraram. - machuca os olhos!
- A luz sempre machuca antes de ajudar - Respondeu ele –
- Cheguem mais perto. O desconforto logo passa
- Eu näo –declarou uma voz.
- Nem eu – concordou a segunda.
- Só um bobo se arriscaría a expor os olhos a uma luz dessas.

O estranho continuou perto do fogo.
- Vocês preferem a escuridäo? vocês preferem o frio? näo se aconselhem com medo. Dêem um passo de fé.
Por um bom, tempo, ninguém falou. O povo amontoava-se em grupos, cobrindo os olhos. O autor da fogueira continuava ao lado do fogo.
- Aquí está mais quente – convidava.
- Ele está certo – falou alguém atrás dele – Está mais quente.
O estranho virou-se e viu uma pessoa chegando devagar para perto do fogo.
- Agora consigo abrir os olhos – ela proclamou. – estou conseguindo ver.
- Chegue mais perto – convidou o autor da fogueira.
Ela obedeceu. A mulher colocou-se ao alcance da luz.
- Está täo quente! – estendeu as mäos, e suspirou quando o frio começou a passar.
– Venham todos! Venham sentir o calor! – convidava ela.
- Fique quieta, mulher – gritou um dos moradores da caverna – Vai nos fazer cair em sua loucura? - - Deixe-nos. Deixe-nos e fique com a sua luz.

Ela se voltou para o estranho.
- Por que eles näo vêm?
- Eles escolheram o frio pois, apesar do desconforto, é o que eles conhecem. Preferem ficar com o frio a mudar. E viver no escuro.

A mulher, agora aquecida, ficou em silêncio. Olhou primeiro para escuridäo, depois para o homem.
- Você vai abandonar o fogo?
Ela parou, depois respondeu:
- Näo posso. näo consigo suportar o frio – depois falou novamente. – Mas também näo consigo suportar a idéia de ver meu povo na escuridäo.
- Nem precisa – respondeu ele, estendendo a mäo para a fogueira e pegando um galho. Leve isto para seu povo. Fale pare eles que a luz é para todos que quiserem.

E assim ela pegou uma pequena tocha e entrou na escuridäo.

VEIO PARA O QUE ERA SEU, E OS SEUS NÃO O RECEBERAM. João 1.11

Texto tirado do livro Ouvindo Deus na tormenta de Max Lucado

Por Litrazini
Graça e Paz