sábado, 7 de outubro de 2017

O MARTÍRIO DE ESTÊVÃO

Enquanto apedrejavam Estêvão, este orava: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito”. Então caiu de joelhos e bradou: “Senhor, não os consideres culpados deste pecado”. E tendo dito isso, adormeceu(Atos 7.59-60)

A morte de Estêvão foi plena de Cristo. Em seguida ao discurso de Estêvão, Lucas registra mais três frases ditas por ele:

Vejo os céus abertos e o Filho do homem em pé, à direita de Deus (v. 56). Talvez Jesus tenha se levantado para dar as boas-vindas ao seu primeiro mártir.

Sem disposição para ouvir Estêvão glorificar a Jesus, o concílio lançou-se contra ele e o arrastou para fora da cidade, para apedrejá-lo. Foi então que ele disse a segunda frase.

Senhor Jesus, recebe o meu espírito (v. 59). Sua oração foi semelhante à que Jesus orou antes de morrer: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23.46). Depois disso, ele caiu de joelhos e bradou:

Senhor, não os consideres culpados deste pecado (At 7.60). Essa frase lembra as primeiras palavras de Jesus na cruz, também registradas por Lucas.

De fato, há vários pontos semelhantes entre a morte de Jesus e a morte de Estêvão. Em ambos os casos, foram contratadas falsas testemunhas e ambos foram acusados de blasfêmia. Os dois oraram pedindo que Deus perdoasse seus algozes e recebesse seus espíritos.

Lucas conclui sua narrativa dizendo que Estevão “adormeceu” (v. 60) — “uma inesperadamente bela e suave descrição para uma morte tão brutal”, escreveu F. F. Bruce.

A maioria das pessoas se interessa pela vida de Estêvão por ele ter sido o primeiro mártir cristão. Lucas, porém, está mais interessado em outro detalhe, a saber, no papel vital que Estêvão desempenhou para a expansão da igreja cristã. Ele já havia mostrado através do Antigo Testamento que Deus estava ligado a um povo, não a um lugar. Agora, Jesus estava pronto para acompanhar seu povo para onde quer que eles fossem.

Essa certeza é indispensável para a obra missionária. Deus assumiu um compromisso com a sua igreja (prometendo que nunca a deixaria) e com a sua Palavra (prometendo que ela nunca passaria).

Mas a igreja de Deus são as pessoas, não os edifícios, e a Palavra de Deus são as Escrituras, não as tradições. Os edifícios e as tradições poderão passar, mas o essencial deve ser preservado.

Não podemos permitir que eles aprisionem o Deus vivo ou impeçam sua missão no mundo.

Retirado de A Biblia Toda, o Ano Todo [John Stott]. Editora Ultimato.

Por Litrazini

Graça e Paz