quarta-feira, 1 de novembro de 2017

A MISERICÓRDIA DE DEUS

DEVE-SE CONFIAR NA MISERICÓRDIA
“Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!” – foi a oração sincera do publicano no templo (Lc 18.13). Este tipo de oração só pode ser feita por quem reconhece seu estado de aflição, calamidade e miséria, bem como a benevolência do Deus que é invocado.

A misericórdia de Deus é manifesta desde o Éden, quando Deus expulsa o primeiro casal do jardim, impedindo que eles comessem do fruto da vida e vivessem para sempre em eterna miséria. Não é absurdo dizer que a privação do Éden e a morte foram uma forma de Deus interromper o sofrimento do homem que entrou no mundo pela porta da desobediência, dar-lhe tempo de vida limitado para que ele “se lembre do seu Criador nos dias de sua mocidade” (Ec 12.1) e pondere a brevidade da vida, para que assim tema a Deus enquanto aqui viver, e viva eternamente em bem-aventurança. A avaliação do professor Lawrence sobre o banimento do primeiro casal é cirúrgica:

O cego Bartimeu clamou a Jesus: “tem misericórdia de mim”, pois ele vivia na cegueira e na mendicância, sofrendo o desprezo da sociedade (Mc 10.48). A mulher cananéia rogou insistentemente: “tem misericórdia de mim”, porque ela já não suportava mais ver a aflição de sua filha que era rotineiramente atormentada por espíritos malignos (Mt 15.22). 

Graça geralmente está ligada à doação generosa e espontânea de um bem não merecido; misericórdia geralmente está ligada à livramento de um mal, ainda que merecido. Por isso, podemos também dizer que graça é dar o bem que não se merece, enquanto que misericórdia é deixar de dar o castigo que se merece.

Towner lembra-nos que “embora a misericórdia divina seja longânima e abundante, não é cega; por muitas gerações, Deus respondeu à desobediência de Israel à aliança com misericórdia (Jr 3.12; Ne 9.17,19,31), mas a misericórdia negligenciada provoca em última instância o juízo (Lm 2.2,21; Zc 1.12)”(14).

Na parábola do rico e o mendigo Lázaro, fica evidenciado que há uma instância em que a misericórdia não opera mais, mesmo sobre aqueles que buscam por ela. O rico no tormento após a morte rogou: “Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama” (Lc 16.24). Mas a resposta do personagem Abraão foi: “…está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá” (Lc 16.26).

Como disse Paulo, “Deus resolveu para com todos usar de misericórdia” (Rm 11.32), mas os que abusam da benevolência de Deus, e recusam seus apelos para uma mudança de vida, enfrentarão o duro e implacável juízo (Rm 2.4-5).

Aproveitemos bem as oportunidades que Deus em sua misericórdia está a nos conceder! E jamais voltemos ao jugo da escravidão do pecado, sob o qual éramos afligidos diuturnamente.

Tiago Rosas

Por Litrazini

Graça e Paz