segunda-feira, 27 de agosto de 2018

A RESTAURAÇÃO DO CRISTÃO E MANASSÉS


A restauração não é algo que ocorre de maneira instantânea, antes o Oleiro submete as nossas vidas a um processo de modelagem. Quando aceitamos a necessidade de sermos restaurados e nos pomos em suas mãos, Deus leva a sério nossa intenção e começa a nos modelar, Se nossa entrega for absoluta, o resultado não se limitará a reconstruir um só aspecto de nossa vida, e sim toda a nossa existência será restaurada.

Em II Cr.33, encontramos a história do Rei de Judá, Manassés; começou a reinar ainda adolescente com 12 anos de idade, manteve-se no poder por 55 anos. O seu reinado de divide em duas partes. Na primeira, Manassés foi um verdadeiro arsenal de pecados e maldades. O escrito bíblico sintetiza esse período dizendo: “Ele fez o que o Senhor reprova, imitando as práticas detestáveis das nações que o Senhor havia expulsado de diante dos israelitas”(2Cr. 33.2).

Manasses sucedeu no trono seu pai Ezequias. Depois de Davi, Ezequias foi o rei mais piedosos de todos os reis de Judá. Em contraste, Manassés chegou a ser o mais ímpio de todos os reis. O reinado de Manassés representa a expressão do mais vergonhoso paganismo “Reconstruiu os altares idólatras que seu  pai Ezequias havia demolido, ergueu altares para os baalins e fez postes sagrados. Inclinou-se diante de todos os exércitos celestes e lhes prestou culto” (2Cr. 33.3). Manassés superou todos os limites da maldade. Ele não só levou ao extremo sua maldade, mas também desencaminhou Judá e o povo de Jerusalém. Em lugar de ouvir a exortação profética, afogou em sangue esses protestos (2Rs.21.16). A tradição conta que entre as vítimas inocentes de seu furor diabólico estava Isaías, que foi cerrado ao meio por ordem do rei (Hb.11.37).

Depois de tanta maldade e desobediência, Deus perdeu a paciência com Manassés e enviou contra ele os comandantes do exército do rei da Assíria, que prenderam-no e colocaram-lhe um gancho no nariz, algemas de bronze e o levaram para a Babilônia (2Cr.33.11).

No pior momento da vida de um homem, Deus estende-lhe a sua mão e lhe dá uma nova oportunidade. Dá-se então inicio o processo de restauração.

O PRIMEIRO PASSO NESTE PROCESSO É A RESTAURAÇÃO DO DESEJO E DISPONIBILIDADE DE OUVIR A VOZ DE DEUS. Manassés conhecia a Deus, mas não queria ouvir o que Ele lhe dizia, se afastou da instrução recebida de seu pai e começou a andar por seu próprio caminho. É muito importante descobrir qual foi o momento em que nos afastamos da direção de Deus. Onde caímos? Precisamos voltar ao lugar da queda e começar de novo a ouvir a voz de Deus.

O SEGUNDO PASSO NO PROCESSO DE RECONSTRUÇÃO É A RESTAURAÇÃO DA ORAÇÃO. Manassés finalmente deixou de lado sua auto-suficiência e orou a Deus. “Em sua angústia, ele buscou o favor do Senhor, o seu Deus, e humilhou-se muito diante do Deus dos seus antepassados” (2Cr.33.12). Finalmente ele se humilhou diante do Senhor. Quando viu-se no cativeiro acorrentado pelo inimigo, cheio de angústia em seu coração, deixou de lado o orgulho, voltou-se para Deus e orou.

Quem orou foi o rei mais ímpio da história de Judá. Aquele que mais pecou. O que mais se envolveu em cultos satânicos e ocultismo. O que chegou a matar os próprios filhos em rituais babilônicos. Aquele que não só pecou, mas que fez com que todo o povo se desviasse dos caminhos do Senhor. Aquele que orou nesse momento havia acendido a ira de Deus como nenhum outro havia acendido em seu tempo. Porém, qual foi o resultado de sua oração: “Quando ele orou, o Senhor o ouviu e atendeu o seu pedido e o trouxe de volta a Jerusalém e ao seu reino. Assim Manassés reconheceu que o Senhor é Deus (2Cr.33.13).

Não importa qual seja a sua situação diante de Deus, sua graça e misericórdia restaurarão sua vida. Não é suficiente alguém reconhecer que está mal e pedir a Deus que o livre, que o abençoe, que o cure. Junto com o reconhecimento e o pedido é necessário disposição para mudar. Quando fizermos isso, Deus, em vez de olhar para trás, olhará para diante. Manassés foi restaurado a Jerusalém e a seu reino; não só foi liberto o cativeiro em Babilônia, mas também foi feito novamente rei. Isto é o que Deus faz com nossas vidas. Ele não somente nos livra do mal, mas também nos restaura à nossa posição de reis.

NO TERCEIRO PASSO PRECISAMOS FAZER A RESTAURAÇÃO DO MURO. Manassés foi restaurado por Deus e restaurou o muro “Depois disto ele reconstruiu e aumentou a altura do muro externo...” (2Cr.33.14); Ele sabia que o inimigo atacaria novamente; por isso elevou muito alto o muro. Quando Deus realiza a libertação em nossas vidas, é necessário levantarmos em seguida uma muralha espiritual que nos proteja contra todo ataque do inimigo. Essa muralha não deve ter buracos por onde o inimigo possa penetrar. Paulo escreve aos efésios: Não dêem lugar ao diabo” (Ef. 4.27).

O QUARTO PASSO DE MANASSÉS FOI RESTAURAR O ALTAR “Depois restaurou o altar do Senhor e ...”(2Cr.33.16). Deus não restaurará o nosso altar. Somos nós quem devemos faze-lo. Não nos movemos por desejos e sensações. Ter comunhão com Deus não é uma questão de desejo e sim de exercício de nossa vontade e de submissão a Deus. Necessitamos orar, ler a Bíblia, adorar e congregar. Nossa vida tornará a se enfraquecer se não consertarmos o altar.

APÓS RESTAURAR O ALTAR, MANASSÉS RESTAUROU SUA ENTREGA. Ele apresentou sacrifícios e ofertas. A importância de oferta nas nossas vidas consiste em adoração e louvor ao Senhor e, não apenas para ser utilizada nas despesas da igreja ou de um ministério.

MANASSÉS RESTAUROU TAMBÉM O LOUVOR. O louvor é fundamental nesse processo de restauração. Além da finalidade de reconhecermos a soberania de Deus e de lhe agradecer ou glorificar, o louvor opera em nosso próprio interior, ele modifica substancialmente a maneira de enfrentarmos a vida. O louvor nos enche de alegria ao reconhecermos que Deus tem operado com amor em nossos corações, nos enche de esperança ao sabermos que Deus operará em nossas vidas e circunstâncias, nos enche de segurança ao sabermos que Deus que nos ama estará conosco.

POR FIM A RESTAURAÇÃO DO SERVIÇO A DEUS: “... ordenando a Judá que servisse o Senhor, o Deus de Israel” (2Cr.33.16). A ociosidade da vida cristã é o espaço que o inimigo necessita para colocar sua obra. Quando somos restaurados por Deus, devemos também restaurar nosso serviço a Ele. É uma questão de ordem. Precisamos restaurar os muros e também o serviço a Deus.

Ninguém foi pior que Manassés, ninguém foi tão orgulhosos, tão desobediente, tão malvado e tão usado pelo inimigo. Ele terminou se quebrantando. Porém, Manassés teve a sabedoria de erguer as mãos para Deus.
 
Transcrito Por Litrazini
Graça e Paz