terça-feira, 6 de julho de 2010

Religiosidade, legalismo, uma distância muito curta do verdadeiro cristão


Que coisa linda! Maravilhosa!

Ao abrir a janela do meu quarto, enquanto fazia o meu devocional diário, fiquei deslumbrada; o Senhor me proporcionou um momento de êxtase completo, pois da janela do 16° andar, onde moro, pude contemplar uma festa maravilhosa de tesourinhas (pássaros) que iam e vinham, davam vôos rasantes, entrecortavam os céus, com uma dança perfeita com seus chilreios de alegria por todos os lados, suas asas azul marinho pareciam ainda mais brilhantes. Quanta alegria!

Nessa atmosfera mágica de prazer e êxtase, ao olhar, abaixo, contemplando as mangueiras em flor, parecia-me ouvir os sons das flores se abrindo.

Um pouco mais adiante, pude vislumbrar a construção da Rodovia Ayrton Senna, o famoso chão preto sendo formado e destruindo o verde dos campos e arrancando árvores, algumas centenárias.

Neste momento uma grande tristeza invadiu o meu ser, meus olhos se encheram de água e, em meio ás lágrimas eu comparava aquela cena mágica das tesourinhas com o avançar do progresso em um contraste difícil até de se imaginar.

Todavia, do nada, com uma rapidez incrível, surge um gavião perseguindo uma das tesourinhas e dispersando as demais. Umas se esconderam nas árvores, outras voaram para longe. O alarido dos pássaros acabou, restou somente o barulho do motor das máquinas.

A festa acabou, o silêncio da natureza voltou, um ou outro latido de cão podia se ouvir ora aqui, ora mais longe, mas o barulho das máquinas continuaram fortes. O que era mágico e belo se transformou em mais um dia comum, frio, insensível, onde as pessoas se cruzam e nem aos menos se cumprimentam.

Continuo na mesma janela, em questão de minutos tudo mudou. Agora, a tristeza toma conta da minh’alma.

Deus criou tudo tão perfeito e maravilhoso, mas o homem que nunca se contenta com nada esta conseguindo destruir a simplicidade, a beleza, a magia e o amor.

O Senhor me constrange a fazer uma comparação com a sua igreja, a igreja de Cristo. Outrora, no início, em Atos, tão cheia de Poder, de amor, de unção. Pessoas dispostas a qualquer sacrifício por amor do Evangelho. Pessoas comprometidas com Deus. Curas, transformações, libertações, pelo simples passar da sombra de um homem. Lenços ao tocar as pessoas provocavam milagres maravilhosos.


Com o passar do tempo, os valores foram mudando, o caráter foi se corrompendo, o amor esfriando, a indiferença, tomando conta, a frieza sendo uma constante, o impuro tomando o lugar do puro, o profano substituindo o santo.

Hoje, temos mais um clube do que uma igreja, aonde as pessoas vão, se abraçam, se beijam, se cumprimentam no templo. Quanta espiritualidade! Quanta religiosidade! Terminou o culto, cada um vai para a sua casa.

No dia seguinte, as mesmas pessoas se transformam, parecem camaleões, alguns, fazem de conta que nem nos conhecem. A religiosidade, a insensibilidade estão tão manifestas, e o pior vamos aderindo a ela, pois nos acovardamos e nos acostumamos a isso.

Pai cadê os valores? Cadê o amor? Cadê o companheirismo? Cadê aquele ombro de ontem na igreja. Cadê o irmão? Cadê os pássaros? Cadê a alegria, o farfalhar das asas....

Só o chão preto, o asfalto, o barulho das máquinas trabalhando, os passos apressados, o barulho dos carros indo e vindo, A indiferença.Até o gavião sumiu!

Pai cadê o Espírito Santo dentro de nós?

Será que este é o preço do progresso? Será que a chegada dele está nos destruindo, ou nós estamos nos tornando tão hipócritas a ponto de dizer que temos um único Senhor e Salvador Jesus Cristo, somente dentro dos templos de tijolos. A indiferença do progresso infelizmente está refletindo no coração do chamado Povo de Deus.

A insensibilidade das máquinas está refletindo em nossas personalidades.

Há! Senhor, m’alma chora, anseia, as lágrimas me impedem de continuar a escrever. Meu desejo é chorar, chorar... Tenho impressão que estou escorrendo pelo ralo.

Mas ainda bem que temos o Senhor, que podemos vir chorar e indagar aos teus pés. Ensina-nos a te buscar mais e a nos preocupar menos com nós mesmos. Restaura em nós ousadia para dizer não á religiosidade, retire de nós toda covardia, toda omissão. Faz-nos resgatar os seus valores.

Escrevi essa mensagem a alguns anos, infelizmente ela continua atual

Lidiomar

Graça e Paz