segunda-feira, 26 de maio de 2014

A melhor forma de viver a vida

Existe uma opinião popular de que o Cristianismo é uma religião de proibições. Para muitos, o maior obstáculo para se tornar um cristão tem a ver com as restrições à sua liberdade para viver “sua melhor vida agora”. O Cristianismo impediria esse tipo de vida por ser uma religião de “nãos”. Não se divirta. Não aja como certas pessoas. Não viva de certa forma. Não vá a certos lugares. Não isso e não aquilo. Em resumo, os de fora do Cristianismo sentem como se fosse uma nuvem em seu dia ensolarada, um proverbial “não” para cada “sim”.

Para ser franco, Deus resumiu os distintivos de Seu povo do pacto no negativo nos Dez Mandamentos (“Não terás outros deuses diante de mim; Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão; Não furtarás; Não dirás falso testemunho; Não cobiçarás; etc). Devemos entender a vontade revelada de Deus para Seu povo como uma série de baldes de água fria altamente restritivos?

Nesse ponto, é instrutivo aprender como Jesus entendia e interpretava o que Deus queria ao dar os Dez Mandamentos ao Seu povo. Quando os Fariseus e Saduceus conspiraram juntos para testar Jesus, um deles, supostamente versado na lei de Deus, perguntou a Jesus qual seria o maior mandamento de todos. Jesus respondeu “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.” (Mateus 22.37-40). A resposta que Jesus deu para os líderes religiosos é confirmado nos relatos dos outros evangelhos, incluindo um encontro particular com outro mestre da lei em Lucas 10.25-37.

Para Jesus, os Dez Mandamentos não eram uma listra restritiva de nãos. Era uma prescrição da melhor forma de amar Deus e amar o próximo. Os quatro primeiros mandamentos dizem respeito a como amamos Deus com todo nosso coração, alma, mente e força, e os últimos seis dizem respeito a como amamos nosso próximo como a nós mesmos. Juntos, eles trazem a promessa do tipo de shalom que nosso mundo deseja mas não pode ter, à parte de um relacionamento pactual com o Deus que nos ama tanto.

Entendidos corretamente, os Dez Mandamentos são a forma de Deus nos mostrar a melhor forma de viver, assim como a melhor forma de amar. Enquanto a Lei nunca poderá justificar um homem perante Deus, isso não significa que a Lei é má. De fato, Geerhardus Vos nos explica que Deus deu a lei, em parte, para que homem viva uma vida de santa alegria. A base dessa explicação vem da afirmação de Jesus de que “O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado”. O Sábado foi criado para o benefício do homem.

Jesus disse que Seu povo foi chamado para viver uma vida de amor, e essa vida amorosa é manifesta pela forma com que cumprimos Seus mandamentos. Como o Apóstolo João afirma, “E o amor é este: que andemos segundo os seus mandamentos. Este mandamento, como ouvistes desde o princípio, é que andeis nesse amor” (2 João 1.6).

Deus não está nos restringindo ao nos dar seus mandamentos, Ele está nos apontando para o caminho da justiça por amor de Seu nome. Está nos levando para calmas águas. Está restaurando nossa alma. Está sendo nosso Pastor, e porque descobrimos Sua bondade e misericórdia ao nos governar, não deveríamos desejar qualquer outra vida.

Em Sua bondade, Deus não apenas nos revelou o que o agrada, mas também nos revelou o caminho de vida aonde há plenitude de alegria. Não há alegria no assassinato, roubo, falso testemunho e cobiça. Não há vida nos ídolos e na adoração dos falsos deuses que o mundo coloca à nossa frente. Esse mundo e suas paixões são passageiras, mas aquele que cumpre a vontade Deus (isso é, obedece Seus mandamentos) vive para sempre (1 João 2.17).

Ironicamente, os próprios “nãos” que os não crentes apresentam como objeções à sua liberdade e prazer no mundo demonstram os maiores e mais verdadeiros prazeres e liberdades encontrados no conhecimento de Deus e no cumprimento de Sua vontade.

Deus não é contra a sua liberdade. Ele é favorável a ela o bastante para comprá-la pelo preço de Seu próprio filho. Deus não é contra seu prazer. Ele é favorável o suficiente para colocar a maldição do pecado sobre a única pessoa que o agradou completamente para que pudéssemos conhecer o prazer da salvação e as riquezas de sua amável aceitação.

Jesus disse que o mundo saberia quem são Seus discípulos pela forma com que amamos uns aos outros (João 13.34-35). O mundo irá ver esse amor em uma comunidade do pacto que vive sob o governo do Rei Jesus, que nos mostrou que os Dez Mandamentos não são realmente restrições, mas brilhantes facetas do diamante de Seu amor.

Mostremos ao mundo qual é verdadeiramente a melhor forma de viver, e a melhor forma de viver como aqueles que são verdadeiramente livres.

TIM BRISTER / Traduzido por Filipe Schulz | Reforma21.org

Por Litrazini


Graça e Paz