quinta-feira, 16 de outubro de 2014

A NECESSIDADE DA CRUZ

Ele mesmo levou em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, a fim de que morrêssemos para os pecados e vivêssemos para a justiça. [1 Pedro 2.24]

Quando Jesus disse pela primeira vez aos seus discípulos que o Filho do homem deveria sofrer muitas coisas e morrer, Pedro o repreendeu de imediato e com veemência. Ele não conseguia lidar com a ideia de um Messias sofredor.

No entanto, três décadas depois, nós o encontramos, em sua primeira carta, contrariando o que ele mesmo havia dito tempos atrás! Cada um dos cinco capítulos de sua carta contém uma passagem importante sobre os sofrimentos do Messias.


Pedro faz duas declarações sobre o propósito da cruz. A primeira é que Cristo nos deixou um exemplo (que já consideramos) e a segunda, que ele “mesmo levou em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro” (v. 24). “Levar os pecados” é uma expressão do Antigo Testamento que significa “levar sobre si a punição pelo pecado”.


Normalmente, aquele que pecava devia levar sobre si a punição pelo seu pecado. Entretanto, algumas vezes, Deus, em sua grande misericórdia, providenciava um substituto para sofrer a penalidade em lugar do outro, tal como na oferta pelo pecado e em especial na figura do bode expiatório, no dia da Propiciação.

Os israelitas devotos, no entanto, sabiam que tudo isso era apenas simbólico, pois o sangue de touros e bodes não poderia tirar o pecado (Hb 10.4). Assim, eles esperavam pelo dia em que o servo sofredor de Isaías 53 levaria os seus pecados. Jesus aplicou essa profecia a si mesmo.

Porém, cabe aqui uma questão. Se Cristo tomou o nosso lugar, levou sobre si o nosso pecado, recebeu a nossa punição e morreu a nossa morte para que recebêssemos o perdão pelos nossos pecados, isso quer dizer (como perguntam algumas pessoas) que podemos agora nos comportar do jeito que quisermos e continuar pecando?

Os críticos de Paulo certamente desenvolveram essa calúnia e talvez tenha acontecido o mesmo com Pedro. Os dois apóstolos, no entanto, a negaram energicamente.

Note a maneira como Pedro colocou: ele levou os nossos pecados a fim de que morrêssemos para os pecados e vivêssemos para a justiça. Assim, a morte de Cristo não somente garante o nosso perdão como garante a nossa santidade.

Não há cristianismo sem cruz. Um cristianismo sem cruz é uma fraude.

Vós, servos, sujeitai-vos com todo o temor aos senhores, não somente aos bons e humanos, mas também aos maus. Porque é coisa agradável, que alguém, por causa da consciência para com Deus, sofra agravos, padecendo injustamente. Porque, que glória será essa, se, pecando, sois esbofeteados e sofreis? Mas se, fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus. Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas.  O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano. O qual, quando o injuriavam, não injuriava, e quando padecia não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente; Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados. Porque éreis como ovelhas desgarradas; mas agora tendes voltado ao Pastor e Bispo das vossas almas. (1 Pedro 2.18-25)


Retirado de A Bíblia Toda, o Ano Todo [John Stott]. Editora Ultimato.

Por Litrazini
http://www.kairosministeriomissionario.com/

Graça e Paz