sexta-feira, 23 de outubro de 2015

É BÍBLICO DANÇAR NO ESPÍRITO?

Existem várias expressões bíblicas que se referem a “dançar” e “bailar”. Contudo, nenhuma passagem das Escrituras fala de “dançar no Espírito”. Esta frase é nova. Não é bíblica nem teológica. Somos informados pelas Sagradas Escritoras que os povos antigos manifestavam seus sentimentos por meio das danças.

Após uma grande vitória de seus maridos ou parentes, quando voltavam das batalhas em defesa de suas vidas ou da pátria, as mulheres, incluindo esposas e filhas, saíam ao encontro dos vitoriosos com cânticos e danças (Juízes 5.11,34). Miriã, a profetisa irmã de Arão e e Moisés, e todas as mulheres libertas do cativeiro egípcio, celebraram a passagem do Mar Vermelho “com tamboris e com danças” (Êxodo 15.20). Em tempos remotos, havia uma celebração ao Senhor em Israel e as filhas de Israel saíam a dançar em ranchos celebrando a “solenidade do Senhor em Siló” (Juízes 21.19-21).

Davi, após conduzir a Arca da Aliança da casa de Obed-Edom até a cidade de Jerusalém, ia “bailando e saltando diante do Senhor” (2Samuel 6.16). Com o passar do tempo, essa prática tornou-se comum em Israel. Jeremias fala que depois de uma bem-sucedida colheita “a virgem se alegrava na dança” e “também os mancebos e os velhos” celebravam da mesma maneira (Jeremias 31.13). Também em suas Lamentações o profeta acrescenta:“Cessou o gozo de nosso coração; converteu-se em lamentação a nossa dança” (Lamentações 5.15).

Parece que os profetas de Baal, durante sua cerimônia sacrificial, usavam uma espécie de música aos gritos e dança aos saltos ao redor do altar (lReis 18.26). Do lado sensual, havia também em Israel a conhecida “dança do ventre”, que ainda hoje é praticada com frequência no Oriente Médio. As filhas de Sião, quando perderam o temor a Deus, adicionaram ao seu andar a dança do ventre – o que foi severamente condenado pelo Senhor (Isaías 3.16). Salomé, a filha de Herodias, dançou também dessa maneira (Marcos 6.22).

No Novo Testamento, em algumas de suas passagens, a música e as danças encontram-se em evidência, sendo praticadas nas solenidades judaicas. Jesus comparou a situação de seus dias com aqueles que diziam: “Tocamo-vos flautas, e não dançastes” (Mateus 11.17). O irmão do filho pródigo ficou indignado quando ouviu e viu “a música e as danças” para seu irmão (Lucas 15.25). Entre as nações semíticas, as danças sagradas eram observadas tanto por homens como por mulheres, mas, pelo que parece, nunca se apresenta homens dançando com mulheres.

Existem inúmeras recomendações bíblicas dizendo que os santos devem se alegrar no Senhor (SaImo 32.11) e servir a Ele com alegria (SaImo 100.2). Maria, a mãe de Jesus, foi uma jovem santa do Novo Testamento. Ela agradeceu a Deus dizendo: “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (Lc 1.46-47), mas não existe nenhuma recomendação no Novo Testamento, que é o manual de orientação para a igreja cristã na dispensação da Graça, dizendo que se deve “dançar no Espírito”.

Além disso, certas danças que existem por aí, em certos meios evangélicos, não são espontâneas, mas ensaiadas com antecipação e apresentadas ao público como “dançar no Espírito”. Por outro lado, existem também aqueles que aproveitam os momentos festivos e neles procuram extravasar suas emoções e euforias, além das regras pré-estabelecidas pela sobriedade e ética cristã.

Paulo fala de “orar no Espírito”, “bendizer no Espírito” e “cantar no Espírito”, mas jamais de “dançar no Espírito”. Não ignoramos as manifestações do Espírito Santo no meio do povo de Deus. Sabemos que em alguns momentos não é fácil mesmo se controlar diante do derramamento do poder de Deus. Contudo, a sabedoria divina nos ensina, que via de regra, quanto mais o cristão está cheio do Espírito, mais controlado ele fica, pois a manifestação do Espírito traz ao crente o amadurecimento e a sobriedade cristã.

Descontrole não é sinal de estar totalmente controlado pelo Espírito de Deus.

Há outras maneiras mais suaves, dentro do campo da ética, de se agradecer a Deus pelo seu amor e bondade, do que certas práticas extravagantes que podem até despertar a curiosidade carnal.

Pr. Severino Pedro da Silva

Por Litrazini


Graça e Paz