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sábado, 18 de fevereiro de 2017

O SAGRADO E O PROFANO

“TUDO O QUE É PROFANO É IMUNDO E QUE TUDO O QUE É SAGRADO É SANTO?”

Levando-se em consideração os aspectos puramente linguísticos e dentro do contexto cúltico da religião judaico-cristã, pode-se afirmar que a definição exigida pela pergunta depende do contexto em que se encontram as palavras.

É interessante observar que a resposta para o primeiro par de termos, aparentemente sinonímicos, “profano-imundo”, deve ser dada na negativa. Isto porque, nem sempre o que é profano deve ser tomado por imundo, já que em contextos diferentes o significado recai não necessariamente em aspectos de pureza, mas de ordinariedade – de coisa comum – por exemplo, a palavra Koinon.

Já o mesmo não pode ser dito do segundo par de termos “sagrado-santo”, pois a própria definição do termo hieros (consagrado) e “santo” (separado), exige que eles sejam interpenetrantes. Sendo assim, tudo o que é sagrado deve possuir necessariamente uma santidade.

Entretanto, os termos, “sagrado” e “profano”, são categorias dicotômicas que servem como ferramentas teóricas à Ciência da Religião, mas especialmente à antropologia e que pela abrangência semântica não se condiciona em reducionismos.

Apesar das línguas originais bíblicas trazerem palavras que expressem a dicotomia em suas variadas nuances, todavia, ela foge à esfera puramente teológica e se difunde culturalmente em outras esferas sociais.

“Sagrado” e “profano” ganham novos significados nas Ciências da Religião. Apresentam-se enquanto categorias teóricas religiosas para explicar o mundo sobrenatural em contraposição ao mundo natural.

Dependendo do campo de pesquisa e da plataforma teórica envolvida ele pode assumir diversos significados.

Há uma discussão muito interessante dos críticos da fenomenologia da religião clássica sobre Rudolf Otto a respeito da categoria explorada por ele em sua obra Das Heilige (O Sagrado) quanto ao termo sagrado. O sagrado para Otto é ontológico e totalmente “Outro”, abrangendo, mas não se esgotando no conceito judaico-cristão de Deus.

Já Émile Durkheim afirmava que “existe religião tão logo o sagrado se distingue do profano” (1996, p.150). Aqui Durkheim não trabalha o sagrado pelo seu aspecto metafísico, na verdade o sagrado pode ser “puro” ou “impuro”. Tudo o que não pode ser sagrado está na esfera do profano.

Para o antropólogo René Girard “É a violência que constitui o verdadeiro coração e alma secreta do sagrado” (1998, p.46). Sagrado para ele possui o significado de religião.

Em Ferraroti o sagrado não aparece esgotar-se na religião institucionalizada que ele denomina de “religião-de-igreja”. Para ele o sagrado se expressa de formas diversas, inclusive na sociedade moderna.

Até aqui, com estes parcos e singelos exemplos, tentei mostrar as várias nuances que o termo adquire nas teorias das ciências da religião.

Apesar de o artigo ter-se desviado sutilmente do propósito original – o teológico – é excitante pensar em uma investigação em direção a definição do termo “sagrado” e “profano” dentro de uma sociedade materialista e dessacralizada como a nossa. Fica aí a provocação.

Referências
DURKHEIM, È. As formas elementares da vida religiosa.  São Paulo: Martins Fontes, 1996.
FERRAROTI, Franco. Una fede senza dogmi. Laterza: Roma-Bari, 1990.
GIRARD, R. A Violência e o Sagrado. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1998.
OTTO, R. O Sagrado. Lisboa: Edições 70, 2005.

Prof. Paulo Cristiano da Silva

Por Litrazini

Graça e Paz 

domingo, 26 de julho de 2015

O SANTO E O PROFANO

“…Assim respondeu o Senhor: “Se você se arrepender, eu o restaurarei para que possa me servir; se você disser palavras de valor, e não indignas, será o meu porta-voz. Deixe esse povo voltar-se para você, mas não se volte para eles. Eu farei de você uma muralha de bronze fortificada diante deste povo; lutarão contra você, mas não o vencerão, pois estou com você para resgatá-lo e salvá-lo”, declara o Senhor.” Jeremias 15.15-20.

Uma coisa é errar intencionalmente, outra coisa é errar por ignorância. Adão e Eva erraram conscientemente. Deus os havia advertido, eles erraram porque quiseram. Eles sabiam das consequências: morte, separação, disciplina, isolamento.

Sansão também foi alertado por seus pais, ele errou porque quis. Seus pais eram crentes, e disseram a ele: “Não se envolva com essas mulheres, são perigosas.” Mas ele errou porque quis.

Judas também errou porque quis: andou três anos com Jesus, viu os milagres que Ele realizava, ouviu Seus ensinamentos. Judas não conviveu com um ser humano comum, ele andou com Jesus, viu os milagres do Mestre, inúmeros, e mesmo assim optou por errar.

Os sacerdotes também desejaram errar: eles viram que Jesus Cristo era o Messias, mas, era mais cômodo agirem como agiam, e erraram conscientemente, crucificaram Jesus.

Os dois ladrões da cruz erraram, eram ignorantes, mas, um deles viu o erro que cometia, e resolveu consertar sua vida: deixou de ser profano.

Saulo de Tarso também errou: mas errou por ignorância, ele pensava que fazia o que era certo, ele perseguia os cristãos, até o dia que conheceu a verdade e optou por aquilo que é santo.


Todos sabemos através das advertências bíblicas o que é errado.

Há pessoas agora errando misturando o santo com o profano por ignorância. Nesse texto, Jeremias passava por uma grande luta, ele queria que Deus libertasse a nação, que abençoasse a sua família e a Palavra do Senhor para ele foi:“Vocês não conseguem separar o santo do profano!”

Quem sabe você é uma pessoa santa dentro da igreja, mas, quando sai pelas portas, deixa de ser santo, e passa a ser profano (a)?

Muitos exaltam Jesus na casa de Deus e na rua deixam que o diabo use suas bocas. Misturam o santo com o profano.

O homem tem profanado aquilo que é santo, aquilo que Deus determinou. Muitos casais têm se perdido sexualmente no que é profano.

Nas festas, as pessoas têm participado de momentos que não tem nada de Deus: brigas, contendas, bebidas…

Se separarmos o santo do profano o Senhor nos abençoará! Precisamos aprender a discernir o que é santo e o que é profano.

À queixa de Jeremias o Senhor disse: “Se você se arrepender, eu o restaurarei…” Olha a condicional: ‘SE’.

Deus espera primeiro o arrependimento, então, a obra é feita.

Muitos querem a restauração, poucos querem o arrependimento. Quando separamos o santo do profano, o Senhor nos faz como que uma muralha de bronze, as pessoas podem se levantar contra nós, mas, não prevalecem, porque o Senhor está conosco.

O que é de Deus é de Deus, o que é do diabo é do diabo. Você tem o Espírito Santo, separe o santo do profano.

O santo cada vez fica mais santo e o sujo, cada vez mais sujo. A palavra de Deus diz: “O limpo limpe-se mais e o sujo, suje-se mais ainda…”

Obedeça ao Senhor e Ele fará de você um muro de bronze, fortificado!

Pr. Jorge Linhares

Por Litrazini

Graça e Paz


domingo, 14 de setembro de 2014

ESTRELA DE DAVI - SÍMBOLO SAGRADO OU PROFANO?

A estrela de seis pontas já foi alvo de inúmeras idéias. Chamado por muitos neo pentecostais de símbolo ocultista, símbolo satânico, símbolo maçom, enfim, sempre atrelado ao conceito de profano ou demoníaco, como quase tudo na história que está relacionado com o povo judeu. Isso na verdade é uma espécie de anti-semitismo velado.

Para o judeu a estrela de Davi ou Magen David é um símbolo sagrado e está relacionado com o conceito de que as seis pontas representadas no desenho simbolizam o governo de Deus em todas as direções: Norte, Sul, Leste, Oeste, Céu (Acima), Terra (Embaixo).

Esse símbolo é visto na maioria das sinagogas, está representado na bandeira da nação, e em vermelho nas ambulâncias de Israel. Além de mezuzas, kipás, menorás, talit’s, e outros utensílios da cultura judaica.

Este símbolo apareceu primeiramente ligado aos judeus já na Era do Bronze - no século IV a.C. - num selo judaico achado na cidade de Sidon. Ele também aparece em muitas sinagogas antigas na terra de Israel datadas da época do Segundo Templo e até mesmo em algumas depois de sua destruição pelos romanos.

O rabino Henry Sobel dá uma definição muito interessante sobre o hexagrama de Davi, vejamos: “A Estrela de David consiste de dois triângulos superpostos em direções opostas. Os vértices do primeiro triângulo representam os três pilares da nossa fé: Deus, Homem e Povo. O segundo triângulo corresponde aos três grandes momentos da nossa história: Criação (passado), Revelação (passado que prossegue no presente) e Redenção (futuro). O primeiro triângulo simboliza a fé judaica; o segundo - a história judaica. Juntos constituem a essência dos nossos ideais.”

É verdade que a estrela de Davi foi um triste símbolo do holocausto, mas o fato de outras culturas, seitas e ocultistas terem se utilizado deste símbolo, não significa que devemos desqualifica-lo. Seria como desqualificar a língua portuguesa inteira porque ela é usada em invocações de demônios pelo sacerdote em um culto de magia negra.

Uma coisa não anula a outra, o fato de terem tomado para si a Magen David em outras culturas, não a desqualifica, não tira o seu significado e nem mesmo a sua característica na tradição judaica.

Existem inúmeras provas arqueológicas datadas dos primeiros séculos, que trazem consigo o que é chamado de “selo messiânico”. Muitos destes utensílios como vasos, jarras, etc, foram encontrados em grutas próximas do monte Sião, e este símbolo é composto de três partes: A menorá, a estrela de Davi, e o peixe. Isso resgata a judaicidade e tradição judaica dos primeiros cristãos para o desenvolvimento das primeiras igrejas.

Lembremos que os primeiros cristãos da história foram judeus, e estavam atrelados a cultura e a tradição judaica.

Infelizmente muitos evangélicos, a cada dia criam novas teorias para colocar outros cristãos em contramão com a judaicidade bíblica. Baseados em livros de pseudo-autoridades eclesiásticas, sem um estudo histórico profundo e sério, reproduzem falas ou textos, sem nenhuma análise exegética ou histórica. Estão buscando respaldo em livros oculistas para fazerem suas afirmações.

Porém na minha opinião, não creio que seja errado usar uma estrela de Davi. Seja como pingente, numa camiseta ou um adesivo no carro. O fato é que este símbolo representa para nós, cristãos, a história do povo judeu, e nada além disso. Ele não é místico em si e nem carrega qualquer “carga” espiritual.

Para muitos judeus este símbolo é sacrosanto, pois ele tem uma relação muito mais estreita com o Judaísmo do que com o Cristianismo, para os cristãos, a Cruz é o símbolo máximo da nossa fé.

Ao usar um estrela de Davi, uma menorá ou um crucifixo, não profano a minha fé nem me torno um idólatra, apenas reconheço que o mesmo Deus revelado no AT, de maneira simbólica, revelou-se no NT na pessoa de Jesus de Nazaré, um judeu, que nos ensinou que a verdadeira fé não está em “coisas”, mas na sua pessoa e no seu ato sacrificial por nós. A Ele toda a Glória!

Bruno dos Santos

Por Litrazini:

Graça e Paz


Reflexões Evangélicas

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Você é sempre uma pessoa bem-vinda.