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domingo, 20 de outubro de 2013

Graça, graças, justiça e misericórdia

O que têm em comum as palavras graça, graças, justiça e misericórdia?

Numa primeira olhada, diríamos que somente as duas primeiras têm algo a ver. As demais se encontram, talvez, na possível ação ou reação de alguém. Tipo, uma pessoa pode conceder graça, agir com justiça, exercer misericórdia etc.

De fato, à exceção da segunda (graças), são respostas possíveis a alguém que detém uma “nota promissória”, seja ela literal ou figurada. É aquela ideia bíblica de dívida.

Penso logo naquela parábola de Jesus que começa assim:

Certo credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários, e o outro, cinqüenta. Não tendo nenhum dos dois com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Qual deles, portanto, o amará mais? (Lc 7: 41,42).

Lembrou? “Simão, uma coisa tenho a dizer-te. Ele respondeu: Dize-a, Mestre”. Ai, o pobre Simão sente que está em apuros, rsrsrsrs!

Bem, essas palavras estão todas juntas na carta de Paulo aos Romanos. No original, ele usa uma mesma palavra grega para fazer uma espécie de jogo de palavras com as duas primeiras: Charis. Do ponto de vista de Deus, significa “graça“, dádiva; do ponto de vista do homem, significa “graças“, a resposta adequada à graça, advinda da gratidão do coração. Dar graças é agradecer.

Restam as outras duas: justiça e misericórdia. “Justiça de Deus”, para Paulo, tanto pode ser uma característica de seu caráter (Deus é justo) quanto um processo de justificação (Deus justifica o injusto). E aí vem o “escândalo para os judeus”: como pode um juiz justo justificar o ímpio? Se ele é justo, então quem deve, paga; quem não deve, não paga! Quem deve muito, paga muito; quem deve pouco, paga pouco. É justo.

E aí, vem a surpresa: o Credor, por misericórdia, concede graça ao devedor insolvente.

Então, veja como essas palavras se encontram nos evangelhos e na teologia paulina: Graça significa dádiva imerecida; você recebe algo bom que não merecia. Graças (ou ação de graças, ou “dar graças”) é a resposta esperada por quem concedeu graça e adequada a quem foi agraciado; gratidão. Justiça acontece quando você recebe o que, sim, merecia (se é um devedor, terá de pagar; se é um pecador, terá que morrer). Mas a misericórdia faz com que não recebamos o que, sim, merecíamos (a cobrança da dívida). Deus “usa de misericórdia” (Rm 11:32) para com todos aqueles que ele nivelou na condição de pecadores ou devedores, seja a dívida de quinhentos ou cinquenta denários.

Resta uma ponta solta, nesse novelo. Se Deus é justo, como pode deixar a dívida sem pagamento? Como fica essa dívida se, por misericórdia, ele concede graça ao devedor? Bem, é importante dizer que a justiça foi satisfeita e que a conta foi paga. E que custou a vida de um inocente. O justo pagou pelos injustos; o inocente pelos pecadores. E este era o próprio Filho de Deus.

Essa graça não saiu de graça. E a misericórdia apenas transferiu para outro o “escrito de dívida”, que foi cravado na cruz.
  
- Rubem Amorese

Por Litrazini


Graça e Paz

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O compromisso com o testemunho do evangelho

O apóstolo Paulo menciona três disposições inabaláveis do seu coração em relação ao evangelho:

"Eu estou pronto" (Rm 1.14); "eu sou devedor" (Rm 1.15) e "eu não me envergonho" (Rm 1.16). Temos aqui três verdades: A obrigação do evangelho: "sou devedor"; a dedicação ao evangelho: "estou pronto"; e a inspiração do evangelho: "não me envergonho".

Vamos examinar esses três compromissos com o evangelho.

Em primeiro lugar, eu estou pronto a pregar o Evangelho (Rm 1.14).

A demora de Paulo em ir a Roma não era falta de desejo do apóstolo, mas impedimentos circunstanciais alheios à sua vontade. Esse atraso, na verdade, enquadra-se no sábio arbítrio de Deus, pois resultou na escrita desta epístola, que tem merecido o encômio de ser "o principal livro do Novo Testamento e o evangelho perfeito".

Paulo sempre esteve pronto a pregar. Ele pregava em prisão e em liberdade; nas sinagogas e nas cortes; nos lares e nas praças. Pregava em pobreza ou com fartura. Ele chegou a dizer: "ai de mim, se não pregar o evangelho" (1Co 9.16). Pregar o evangelho era a razão da sua vida.

Em segundo lugar, eu sou devedor do Evangelho (1.15).
Há duas maneiras de alguém se endividar. A primeira é emprestando dinheiro de alguém; a segunda é quando alguém nos dá dinheiro para uma terceira pessoa. É no segundo caso que Paulo se refere aqui. Deus havia confiado o evangelho a Paulo como um tesouro que ele tinha que entregar em Roma e no mundo inteiro. Ele não podia reter esse tesouro. Ele precisava entregá-lo com fidelidade.

Deus nos confiou sua Palavra. Ele nos entregou um tesouro. Precisamos ir e anunciar. Sonegar o evangelho é como um crime de apropriação indébita. O evangelho não é para ser retido, mas para ser proclamado. Ninguém pode reivindicar o monopólio do evangelho. A boa nova de Deus é para ser repartida. É nossa obrigação fazê-la conhecida de outros.

Proclamar este evangelho em todo o mundo e a toda criatura não é questão de sentimento ou preferência; é uma obrigação moral; é um dever sagrado.

Em terceiro lugar, eu não me envergonho do Evangelho (1.16).
Paulo se gloria no evangelho e considera alta honra proclamá-lo. Ao considerarmos, porém, todos os fatores que circundavam o apóstolo, nós poderíamos perguntar: Por que Paulo seria tentado a envergonhar-se do evangelho ao planejar sua viagem para Roma? Porque o evangelho era identificado com um carpinteiro judeu que fora crucificado. Porque naquela época como ainda hoje os sábios do mundo nutriam desprezo pelo evangelho.

Porque o evangelho, centralizado na cruz de Cristo, era visto com desdém tanto pelos judeus como pelos gentios. Porque pelo evangelho Paulo já havia enfrentado muitas dificuldades. Porém, a despeito dessas e outras razões, Paulo pode afirmar, com entusiasmo: "Porque não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê" (Rm 1.16).

Hoje há três grupos bem distintos: Primeiro, aqueles que se envergonham do evangelho. Segundo, aqueles que são a vergonha do evangelho. Terceiro, aqueles que não se envergonham do evangelho. Em quais desses grupos você se enquadra? Qual tem sido o seu compromisso com a proclamação do evangelho?

Que Deus desperte sua igreja, para que como um exército poderoso, cheio do Espírito Santo, se levante para proclamar com fidelidade o evangelho da graça. Pregar outro evangelho ou sonegar o evangelho é um grave pecado; porém, anunciar o evangelho, é o maior de todos os privilégios!

Rev. Hernandes Dias Lopes

Por Litrazini

Graça e Paz

Reflexões Evangélicas

Reflexões Evangélicas
Você é sempre uma pessoa bem-vinda.