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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

O FRUTO E A VIDEIRA

O termo fruto usado nas páginas do Novo Testamento é a tradução do original karpos, que tanto pode significar “o fruto”, quanto “dar fruto”, “frutificar” ou ser “frutífero” (Mt 12.33; 13.23; At 14.17). A palavra é usada em sentido figurado para indicar a produção ou o resultado de algo.

A qualidade da coisa produzida aponta para as virtudes, a ineficácia, e ao caráter do elemento gerador (Gn 1.12; Mt 7.17,18). Deste modo é que se refere ao produto da terra, do ventre e dos animais (Dt 28.11); do caráter do justo (Sl 1.30; Pv 11.30); da índole do ímpio e das atitudes dos homens (Pv 1.29-32; Jr 32.19); da mentira (Os 10.13); da santificação (Rm 6.22); da justiça (Fp 1.11) e do arrependimento entre outros (Lc 3.8).

Por conseguinte, a árvore produz fruto segundo a sua espécie (Gn 1.11). Espécie, no original mîm, designa “especificação” ou “ordem”, por esta razão a árvore boa não gera fruto mau, e a má, fruto bom (Mt 7.16-20). Portanto, é de se esperar que da natureza regenerada do crente, pelo Espírito Santo que nele habita, origine-se fruto que dignifique e espelhe o caráter moral de Cristo.

A VIDEIRA EM JOÃO 15
A ilustração bíblica está condicionada ao contexto do símbolo hebraico que concebia o homem como árvore (Jz 9.7-15; Sl 1.3); Israel como vinha (Is 5.1-7; Jr 2.21; Os 10.1); e Cristo como a Videira (Jo 15). Tais elementos, conforme o contexto, são interpretados como símbolos, alegorias, metáforas e até mesmo tipos. Embora participem do mesmo campo semiológico, esses elementos literários distinguem-se.

O símbolo, por exemplo, seu significado está à parte do seu campo semântico literal, ultrapassando-o a fim de representar um conceito abstrato (a cruz é tanto símbolo de vida como de morte).

A alegoria, por outro lado, como já definimos em nossa obra Hermenêutica Fácil e Descomplicada (CPAD), é uma sucessão de metáforas em que cada uma delas acrescenta um novo elemento para formar um quadro mais abrangente da mensagem (a videira e os ramos, por exemplo).

Cada metáfora da alegoria transmite um significado que completa a estrutura e mensagem da analogia anterior. Já o tipo, mais enigmático do que epigramático, lida com o significado e cumprimentos análogo e profético (Melquisedeque e Cristo, por exemplo).

Facilmente é percebido que há uma estreita relação entre as palavras e as coisas por elas nomeadas. Assim, a linguagem denotativa refere-se às coisas como são, enquanto a conotativa às coisas como se relacionam com a realidade; como se compreendem em uma relação palavra-objeto-mensagem. Enquanto a denotação percorre os corredores da exatidão, do unívoco; a conotação nega toda literalidade, e percorre os corredores do equívoco.

Pietroforte afirma que Quando dois ou mais significados são comparados em torno de uma relação de similaridade, o sentido denotado é negado e caminha para sua difusão em outros sentidos, gerando, assim, conotações. A figura de palavra que traduz esse efeito é chamada comparação. [1]

Consequentemente, o símbolo, a alegoria, a metáfora e o tipo negam o sentido verbal, histórico e imediato e afirmam a polissemia, nas palavras de Pietroforte, “afirma-se sua difusão em outros sentidos”; que, na semiologia peirceana, chamaríamos de critério de interpretância.

Na Alegoria da Videira (Jo 15), a verdade reside nas ligações de representações em vez de nas representações isoladas. É necessário compreender uma metáfora (ramos, por exemplo) em sua relação com outra metáfora, em vez de isoladamente (videira, agricultor). Aristóteles (Da Interpretação) denomina essa relação de συμπλοκή (symplokē), que, na concepção heideggeriana, significa “o entrelaçamento, o entretecimento de duas ideias ou de dois conceitos”.

No critério de interpretância, o conteúdo interpretado permite que o leitor vá além do signo originário. O interpretante, entendido como um signo, figura ou oração que traduz uma expressão anterior, além de retraduzir o sentido verbal, alarga a sua compreensão. Umberto Eco afirma que para Peirce um termo é uma “proposição rudimentar” e que uma proposição é uma “rudimentar argumentação”.

Assim sendo, a Alegoria da Videira no capítulo 15 do Evangelho de João é uma das imagens sacras mais contundentes sobre o relacionamento e intimidade de Jesus com os seus discípulos. Esta pérola poética não é superada nem mesmo pela oração sacerdotal do capítulo dezessete, mas complementada e sumariada no versículo 23: “Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade”.

Na figura da videira, o Pai é o cultivador que zela pela frutificação do ramo, mas somente na intercessão de Cristo é que entendemos o cuidado do viticultor célico – o poder gerador, criador, frutificador do Deus Todo-Poderoso é comunicado ao crente que está unido e permanece em Cristo, portanto, inadmissível a um ramo permanecer sem produzir o devido fruto.

O capítulo quinze ressalta a função de cada um dos elementos da alegoria: o agricultor, a videira e os ramos – mas no dezessete, os três estão unidos e, mesmo que se resguarde a individualidade das duas pessoas divinas (Eu e Tu), são apenas um com os ramos. 

O apóstolo dos gentios foi um dos discípulos de Cristo que experimentou e confessou a excelência de se ter o poder eficaz de Deus sendo comunicado através de sua comunhão e permanência em Cristo: “Para isto também trabalho, combatendo segundo a sua eficácia [operação], que opera em mim poderosamente [dynamis]” (Cl 1.29; 1 Co 12.6). A glória pelo fruto gerado não pertence ao sarmento, mas ao vivificador que comunica vitalidade ao ramo, para que este produza de acordo com o poder que lhe é comunicado.

Esdras Costa Bentho
Notas
[1] PIETROFORTE, A.V. A palavra e o discurso. In: LOPES, I.Carlos; HERNANDES, N. (orgs.) Semiótica: objetos e práticas. São Paulo: Contexto, 2005, p. 159.

Por Litrazini

Graça e Paz

domingo, 30 de outubro de 2016

O DESAFIO DE DEUS

Deus desafia todas as nações para que tragam seus deuses e provem que são poderosos, que faça o que seus adoradores dizem o que eles são. Enquanto eles não conseguem provar, e os deuses se mostram impotentes, Deus diz que vai mostrar quem é e o que faz, trazendo do Norte a Ciro, o homem que ele escolhera para governar os povos. Deus de verdade faz isso, não promete fazer, ou precise que seja carregado por aqueles que o adoram.

Deus faria com que seu povo voltasse das terras para onde foram, coisa que nenhum deus ou nação conseguiu fazer, mas o povo de Deus iria retornar dos lugares onde estava, e assim Deus provaria seu poder. Regocíjate grandemente en el Señor!

Através das metáforas dos animais e das árvores, sete tipos, Deus mostra que iria causar espanto a todas as nações ao redor. Tudo foi resolvido por Deus. Quando eles vissem o povo voltando, grande seria o espanto, pois restauração de Deus em redor.

Esse capítulo tem alguns dos versículos mais lindos, como os versículos 10, 11, e 13, onde Deus diz que vai fazer Israel vencer aos seus inimigos, e com certeza, muitos inimigos de Israel nem existem hoje, como Deus prometera, cumpriu. Entre eles estão os Filisteus, Moabitas, Edomitas, Assírios, etc.

Ele usa uma metáfora interessante no verso 15, que fala de trilho novo, na verdade uma metonímia, que usa a parte pelo todo; trilho aqui é uma máquina usada para preparar a terra para serem plantada nela as sementes. Deus iria renovar a nação, preparar o terreno para Israel de novo florescer, para que vença seus inimigos e Deus seja glorificado.Assim todos saberiam quem era o Deus dessa nação tão desprezada,humilhada.

É a renovação de Deus acontecendo, e ninguém iria impedir que seu povo fosse restaurado, nem os deuses dessas nações, que eram tidos como poderosos, mas na verdade não eram nada diante da grandeza de Deus. Eles não provaram nada, não predisseram o futuro, nem fizeram uma bondade ou maldade, para provarem que estavam vivos, como Baal, Astorete, ou Astarte, ou Vênus, e Milcon, ou Malcon, entre outros, falsos deuses que nada podem fazer.

Só o eterno IAVÉ triunfaria, como triunfou. Deus desafiou eles para a luta, para provarem quem eles eram de verdade, e Deus mesmo diz que “eles não são nada, menos que nada”, enquanto que ele prova ser o Deus grande.

Essa esperança que nós temos de Deus, aquele que faz em nós o que quer. Que Deus nos guarde de todo mal, e aqueles que lutam contra nós sejam envergonhados, para que nós possamos usufruir das promessas de Deus, a qual não falha, pois Deus é o sustentador de todas as coisas, como diz Paulo no livro de Romanos,capítulo 11, depois de explicar o plano de Deus, que inclui os gentios e Israel: “tudo é por ele e para ele; glória, pois, a ele eternamente”.

Josias Leonardo De Moura

Por Litrazini

Graça e Paz

Reflexões Evangélicas

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